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Economia e Setores

Mercosuper: Cenários e Perspectivas, por Carlos Kawall e José Pio Martins

Os reflexos da crise política e econômica são sentidos por todos os setores. O supermercadista, no entanto, sofre menos com a retração do consumo. É hora de pensar em estratégias de sobrevivência e investir nos negócios: qualificação, capacitação e rentabilidade estão no centro das atenções. Entenda este cenário, explicado na palestra de Carlos Kawall e José Pio Martins no segundo dia da Mercosuper 2016.

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Durante a Mercosuper 2016,  além da feira que gera oportunidades e negócios para os mais de 140 expositores, tem muito conteúdo atual para o setor.  Destacamos a palestra magna “Cenários e Perspectivas 2016-2017”, que contou com dois palestrantes de peso para fornecer um panorama do mercado atual e abordar quais são as possibilidades para o futuro. Com mediação do jornalista Sandro Dalpícolo, da nossa emissora,  o economista-chefe do banco Safra, Carlos Kawall Leal Ferreira, e o economista e reitor da Universidade Positivo, José Pio Martins, puderam compartilhar um pouco da sua experiência e visão com o público.

Um breve panorama do mercado atual

A palestra magna “Cenários e Perspectivas 2016-2017”, contou com mediação do jornalista Sandro Dalpícolo e a presença de dois convidados de peso: o economista-chefe do banco Safra, Carlos Kawall, e o economista e reitor da Universidade Positivo, José Pio Martins. Juntos, eles apresentaram um panorama do mercado atual, bastante influenciado pela turbulência política, mas também falaram sobre algumas possibilidades para o futuro. crédito: Bruna Zembuski/Central Press
A palestra magna “Cenários e Perspectivas 2016-2017”, contou com mediação do jornalista Sandro Dalpícolo e a presença de dois convidados de peso: o economista-chefe do banco Safra, Carlos Kawall (à esq), e o economista e reitor da Universidade Positivo, José Pio Martins (à dir). Juntos, eles apresentaram um panorama do mercado atual, bastante influenciado pela turbulência política, mas também falaram sobre algumas possibilidades para o futuro.
crédito: Bruna Zembuski/Central Press

Para Kawall, nosso país enfrenta um momento desafiador. Seja para a economia ou para a política – ambos os setores estão interligados e têm afetado um ao outro. Para que as coisas comecem a entrar nos eixos é extremamente importante que a confiança no Brasil seja restaurada.

Segundo o economista, nossa indústria já apresenta dificuldades de crescimento há cinco anos. Mas agora, os obstáculos também começam a bater na porta do comércio. O fator de maior impacto no mercado está relacionado ao comportamento do consumidor. As vendas em geral chegaram a apresentar um crescimento constante até o ano de 2014, contudo, o cenário atual não é mais o mesmo. No setor supermercadista, de acordo com o IBGE, esta baixa foi de 3% nos últimos 12 meses – mas apesar disso, é “um dos mercados que sofreu menos impacto”, destacou Kawall. Este comportamento inibido do público se deve, especialmente, à inflação e à preocupação com o emprego.

“Estamos em meio a uma desaceleração profunda na economia, o que indica que a recuperação não será fácil”, apontou o economista-chefe do banco Safra. “A dificuldade de crescimento se deve muito ao endividamento do setor privado, que depende de uma condição financeira mais estável do governo para voltar a investir. Contudo, empresários podem tomar um pouco de fôlego no último trimestre com a previsão de queda nas taxas de juros”, explicou.

Em termos de dependência com relação ao câmbio, se houver a restauração da governabilidade brasileira, a expectativa é de que se encontre um pouco mais de equilíbrio. Com isso, podemos fechar o ano com o dólar entre R$ 3,20 e R$ 3,50. Se não, há chance da moeda americana chegar a R$ 4,20. “Agora, mesmo em meio a tantas dificuldades, está na hora do empresário arriscar. Meu conselho aos empreendedores é que em algum momento a oportunidade vai aparecer, então é preciso ficar atento para agarrar esta chance”, disse Kawall.

Estratégias de sobrevivência: o que o setor privado enfrenta

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Varejistas precisam focar em decisões estratégicas, para melhorar a rentabilidade, a qualidade e a gestão dos negócios.

Até 2007, a indústria brasileira vinha crescendo a vapor, mas depois dos impactos da crise externa, passou a estagnar. De lá pra cá o cenário pouco mudou e agora a indústria já registra queda. “Se a queda se acentuar, é possível que o Brasil volte ao nível de produção registrado em 2002. Ou seja, podemos regredir 15 anos”, avalia Kawall. Com isso, o efeito não vai fugir da causa: o índice de desemprego no setor tem aumentado drasticamente. O que preocupa é que inclusive o comércio já sendo impactado.

O cenário, como explicou o economista e reitor da Universidade Positivo José Pio Martins, ainda é árido para o setor privado e não haverá soluções a curto prazo que cheguem como milagres para restaurar o nosso crescimento econômico. “Temos o baixo crescimento do PIB, inflação elevada – mas que em relação ao no passado já demonstrou melhora e pode abaixar ainda mais, déficit público alto, infraestrutura precária, déficit externo e a pobreza”, declarou.

Martins acredita que para conseguir alavancar a economia seria preciso aumentar o que ele chama de “produtividade”: a hora trabalhada do brasileiro vale cerca de US$ 12, enquanto a do americano chega a quase US$ 54. A diferença é agravada pelas condições pouco favoráveis de infraestrutura do país e pela baixa idade média de aposentadoria do brasileiro, o que tem pressionado as contas públicas. “A idade média de aposentadoria no Brasil é muito baixa. Até 2040, seremos quase 60 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Como fechar a conta?”, questiona.

Para ajudar os supermercadistas a entender como se movimentar futuramente, Martins explicou o que ele chama ser de “estratégias de sobrevivência”. Para o reitor, é estritamente necessário que as empresas foquem em três alvos: legalidade, qualidade e rentabilidade. “Alguém ainda tem dúvidas do que a ilegalidade pode trazer ao nosso mercado? São três pratos que o setor privado tem que equilibrar para superar o momento”, brincou.

Além disso, Martins ressaltou que, em um cenário de incertezas, é crucial que as decisões sejam tomadas com bases científicas. “Não existe mais espaço para adivinhação e chute. Invista em conhecimento”, afirmou. Mais que isso: agora, os varejistas precisam pensar em qualidade de pessoas e sistemas, ter uma gestão de custos implacável e fazer uma gestão eficiente do fluxo de caixa. “Não existem respostas definitivas; apenas sugiro um caminho. Tenha foco, invista em pessoas, em tecnologia e em sistemas eficientes”, finalizou.

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