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Economia e Setores

O que empresários e consumidores podem esperar da economia a partir de agora?

A curto prazo a mudança é na visão dos investidores, empresários e consumidores: confiança de que o Brasil pode dar a volta por cima e retomar o crescimento. Lá na frente, expectativa é que o desemprego diminua e o dólar se estabilize. Conversamos com dois economistas paranaenses que nos explicaram o que podemos esperar da gestão do governo interino de Michel Temer. Falamos também com um dos setores paranaenses que conseguiram prosperar, mesmo na crise: o turismo. Karen conta o que podemos tirar de lição deste momento.

Entra presidente, sai presidente. Vota o impeachment. Opa, muita calma: a votação foi cancelada. Ah, não, agora voltou a valer. A cena política do nosso país nos últimos dias tem sido uma grande confusão, aumentando a sensação de incerteza sobre o futuro. Nos últimos dias o presidente em exercício Michel Temer anunciou uma série de mudanças e reestruturações no governo.  Com pouco menos do que 180 dias pela frente, ainda há muitas dúvidas sobre quais serão os desdobramentos destas mudanças e como podem melhorar o cenário econômico do país.

Convidamos  os economistas Carlos Magno e Solídia Santos,  do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR);  para ajudar nossos leitores a entenderem o cenário que começa a se desenhar. Vamos juntos!

Afinal, como o processo de impeachment pode impactar a economia a curto e longo prazo?

Em 180 dias fica difícil ver os resultados concretos das medidas que serão aplicadas, explica Solídia Santos. No entanto, já fica claro que as propostas sugeridas pelo presidente em exercício têm priorizado o ajuste das contas públicas.

RPC Cenario Carlos Magno Solidia Santos Corecon
Os economistas Carlos Magno e Solídia Santos falam sobre mudanças no cenário a curto e médio prazo. Para eles, confiança na economia deve ser restabelecida

Para o economista Carlos Magno as mudanças devem caminhar sob três pilares: 1) diminuição da intervenção estatal no setor privado; 2) reequilíbrio das contas públicas; 3) fazer as reformas necessárias nos setores previdenciário, tributário e trabalhista. “O desafio é enorme. A economia está estagnada e, pior, vivendo um período inflacionário. Todas as medidas agora vêm para reverter esse quadro. Será amargo no curto prazo, porque terá que frear os gastos, mas a população e o mercado parecem entender que isso fará a economia voltar a crescer lá na frente”, acredita.

Perspectiva econômica: o que muda já!

O principal ponto, comentam os dois economistas, é que com a perspectiva de mudança e desafogamento da dívida pública, a confiança do consumidor, do investidor e do empresário se restabeleça. “As pessoas pararam de consumir e de comprometer sua renda por medo de um cenário obscuro. Ninguém sabia por quanto tempo conseguiria manter o emprego, como ficaria a inflação no mês seguinte”, explica Solídia.  É importante a retomada da confiança para o mercado pode voltar a girar. “O que precisamos é justamente isso: que as empresas e consumidores voltem a confiar. Assim, voltam a investir na nossa economia e retomar o crescimento no longo prazo”, afirma Solídia.

Foco no longo prazo: dólar e desemprego

Estabilização do dólar e possibilidade de uma "pausa" no índice do desemprego são alguns dos cenários apontados por consultorias especializadas
Estabilização do dólar e possibilidade de uma “pausa” no índice do desemprego são alguns dos cenários apontados pelos economistas

A tendência é que o dólar pare de oscilar e estabilize ainda este ano. Para 2017 a perspectiva é que a moeda permaneça na casa dos R$ 3: tudo dependerá dos desdobramentos políticos até lá.  Para os empresários, a notícia é animadora: “Mesmo que não tenhamos um dólar baixo, vamos encontrar o câmbio mais estável se a governabilidade se mantiver. E aí os benefícios são vários: os empresários vão conseguir controlar as despesas com mais facilidade e não se sentirão tão inseguros para investir”, avalia Solídia.

Tudo isso, lá na frente, avaliam os dois economistas, trará bons resultados, principalmente em relação ao desemprego. Hoje, são 11 milhões de desempregados e o medo era que isso continuasse a crescer. No entanto, serão mudanças lentas. “Com o cenário um pouco mais seguro na economia brasileira, uma possibilidade é que a redução dos postos de trabalho já comece a amenizar”, explica Solídia.

Mas o Brasil vai voltar a crescer quando?

Magno conta que, segundo consultorias especializadas,  há chances de o Brasil fechar este ano com crescimento em 0% e, para ano que vem,  algo entre 0,5% e 1%. “A expectativa antes era de que o país fecharia no negativo, mas há previsões mais otimistas. Por enquanto, é preciso esperar, ver o que os resultados vão nos trazer, mas a tendência é que melhore mesmo se as propostas do governo Temer forem pra frente”, afirma Magno.

Solídia acredita que há poucas chances de recuperar o tempo perdido em 2016. “Acredito que vamos fechar o ano no negativo. Já estamos quase no segundo semestre e não há tempo”, acredita. Como Temer ainda está fazendo um levantamento da dívida pública, Solídia explica que lhe sobrará pouco tempo para conseguir manobrar o Brasil ainda este ano.

E o Paraná?

O Paraná sai na frente no movimento de recuperação econômica devido aos ajustes fiscais estaduais, iniciados ano passado, e que permitiram o equilíbrio das contas públicas neste momento. “Neste ano, podemos dizer que o Paraná é uma ilha de prosperidade em meio a um arquipélago”, afirma Magno.

Karen Kobilarz, gerente da Adetur Campos Gerais, acredita que este momento de crise e instabilidade política deixa uma lição clara aos empresários: sem mobilização e envolvimento com as pautas políticas fica difícil conseguir visibilidade para as reivindicações que cada setor demanda.
Karen Kobilarz, gerente da Adetur Campos Gerais, acredita que este momento de crise e instabilidade política deixa uma lição clara aos empresários: sem mobilização e envolvimento com as pautas políticas fica difícil conseguir visibilidade para as reivindicações que cada setor demanda.

Um dos setores que conseguiu prosperar neste período de crise, mesmo com algumas quedas de faturamento, foi o turismo. Segundo Karen Kobilarz, gerente da Associação de Desenvolvimento do Turismo (Adetur) dos Campos Gerais, o setor foi beneficiado pelo turismo doméstico já que, com a oscilação do dólar, os brasileiros deixaram de viajar para o exterior. “Ainda é cedo para dizermos como as coisas vão ficar, fica aquela sensação de desconfiança. Temos que esperar e ver o que acontece. Tanto na esfera municipal, como na estadual sentimos dificuldade de colocar as pautas do Turismo como prioridade”, explica.

No entanto, conta Karen, o turismo tem uma forte mobilização por parte dos empresários, com avanços significativos. No começo deste ano, as agências e operadoras de turismo comemoraram a medida provisória que reduziu de 25% para 6% o imposto sobre os pacotes de viagens internacionais comercializados pelas empresas. Por isso, aconselha Karen, é preciso que os empresários de todos os setores aprendam a trabalhar de forma integrada e colaborativa para que, juntos, consigam dar visibilidade às necessidades do setor. “Eles devem se unir em busca da solução dos problemas e também para aproveitar as oportunidades. Unidos e fortalecidos conseguem aumentar a representatividade junto ao poder público também”, finaliza.

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2 respostas para “O que empresários e consumidores podem esperar da economia a partir de agora?”

  1. Guilherme says:

    Eu penso que seria interessante a matéria se acrescentasse junto a opinião de um gestor político, por exemplo um Prefeito, um Governador ou um ex-Presidente. É que a perspectiva somente econômica, no momento especial que vivemos, não vai conseguir agregar nada de informação quando vemos mais dos mesmos nas áreas governamentais. Pedro Parente, é brincadeira. Um Presidente de 75 anos, casado com uma mulher novinha é outra brincadeira. Ministros alvos de delações é um inferno.E por aí vai.

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