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Comportamento

Solteiros: especialistas observam mudança de comportamento com a pandemia

O número de solteiros que querem estar em um relacionamento amoroso aumentou e a exigência também. Autoconhecimento e valorização pessoal após um ano de isolamento social contribuem para essa equação

Isolamento social levou as pessoas a um processo de autoconhecimento. Foto: Canvas

 

 

 

 

 

 

 

 

O filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman foi certeiro ao afirmar que vivemos em uma época de relacionamentos líquidos. O que ele quis dizer, explica a psicóloga Giovana Bonagura Bonini, da Clínica de Psicologia Vidamiga, foi que o comportamento da humanidade na era digital é líquido, fluido, em movimento. Ou seja, as pessoas passaram a manter relacionamentos menos profundos e mais efêmeros.

 

“Ele definiu com genialidade nossas fragilidades frente às relações sociais, como a fluidez dos comportamentos, do modo de viver. Para isso, fez uma metáfora com os líquidos, que se movem facilmente.”

 

 

 

 

 

Mas Bauman, que faleceu em 2017, não pode testemunhar a transformação nas relações causadas pela pandemia. Para a especialista, todo o contexto que vivemos desde 2020 pode ter alterado, ainda que temporariamente, essa lógica. “Os solteiros têm percebido que a pandemia nos trouxe várias confirmações. Em um período de difícil contato, difícil acesso a amigos, a relacionamentos amorosos, pode-se perceber o quanto precisamos nos sentir seguros para estarmos com alguém”, sugere.

Uma pesquisa do canal Soltos, do Uol, demonstra essa mudança de atitude. O canal entrevistou mais de 1500 solteiros do Brasil e, após mais de um ano de isolamento social, o número de solteiros que afirmaram querer um relacionamento passou de 37% para 63%.

O que mudou?

Marina Roale, que é Head de pesquisa do grupo Consumoteca, observa que o primeiro ponto é que a liberdade, que era vista como a vantagem da vida de solteiro, foi perdida. “O solteiro sempre teve fama de viver mais intensamente, de ter uma vida mais espontânea, de ter mais liberdade. E isso foi a coisa que mais caiu por terra durante a pandemia.”

A partir do momento que o protocolo de segurança da sociedade é que você tenha contato restrito com as pessoas, a espontaneidade da vida do solteiro acaba. “De repente, todo mundo que é desconhecido se torna um potencial transmissor do vírus. Então, essa vida ela ganha outro tom porque pra você encontrar alguém é prudente saber por onde ela passou.

Ela observa também que, se nos primeiros meses o isolamento foi mais rigoroso, depois os solteiros começaram a perceber que precisavam de contato humano.

 

 

 

“Aí mudou a equação pra encontrar essa pessoa, já que precisava ser alguém que valesse a pena a exposição. Então, isso ganhou um peso muito maior. E uma relação que tinha tudo pra ser mais casual, ficou mais pragmática e perdeu um pouco a emoção.”

 

 

A valorização das relações

A percepção da psicóloga Giovana é a de que, de fato, os solteiros têm valorizado mais as relações nas quais se sentem seguros para engrenar um relacionamento amoroso. “Vejo uma grande modificação. É como se a pandemia estivesse nos dando a oportunidade de olhar para nós, de nos conhecer. Principalmente, quando eles têm certeza de que com aquela pessoa encontrará um refúgio.”

Sheila Rigler, que é coach de relacionamentos e proprietária da agência Par Ideal, corrobora com as impressões de Giovana. Segundo ela, a procura pelos serviços da sua agência aumentou em pelo menos 10% no último ano.

“A pandemia deixou as pessoas mais dispostas a buscarem um relacionamento sério. Nunca tivemos tantos namoros quanto agora, que aconteceram pela agência.” Ela comenta também sobre o aumento da procura por sites de namoro e como isso impactou nos serviços mais profissionais de relacionamento.

“As pessoas nunca entraram tanto em site de relacionamento, mas elas têm se decepcionado muito e estão cansadas. Por isso, serviços como o nosso, em que fazemos entrevistas prévias e checamos as informações, estão em alta. Temos uma taxa de sucesso entre 70% a 80%.”

 

 

 

Mudança coletiva

Para Giovana, essa modificação de comportamento não seria apenas uma busca por segurança, mas, principalmente, uma consciência de que existe algo maior, de coletividade.

“A falta do contato físico ocasionou essa necessidade de olharmos para nossas relações. Não sei se isso vai perdurar após a pandemia, após todos estarem vacinados e seguros com sua própria situação de saúde. Mas sei que a pandemia está nos ensinando muito em questão de olhar para si e olhar para o outro.”

Consumo

A psicóloga também observa algumas mudanças nas prioridades e comportamentos de consumo.  “Vemos as pessoas investindo mais no bem-estar, nos cuidados com a casa, em produtos de higiene pessoal, para se sentirem mais confortáveis com sua aparência e com seu bem-estar físico.” Ela ressalta a busca, por exemplo, de peças de roupas que priorizam o conforto. “Vemos na moda as pessoas vendendo conforto na hora de se vestir, de sentir na sua pele, de fato, um conforto.”

Fear of dating again e Dating Burnout

Na outra ponta, surgem outras tendências de comportamento. O Fear of Dating Again, ou medo de voltar a se relacionar, é um deles. As especialistas afirmam que por aqui esse movimento ainda não foi visto com força, mas que é algo que pode ser visto sim . “O que vimos foram pessoas com mais cuidados, preferindo os contatos online até se sentirem seguras para um encontro presencial”, diz Sheila.

Marina observa que, como perdemos o contato físico, o hábito de nos reunir, à medida que a vida começe a voltar à chamada nova normalidade, podemos ver pessoas um pouco receosas com relação a voltar a namorar. “Claro que isso não vai ser definitivo, mas a gente ouve depoimentos de pessoas que vão sentindo o impacto desse reencontro, de se reinserir nessa lógica do flerte”, pontua,

Outro termo que surgiu é o dating burnout, muito em razão da alta exposição às telas, em especial no período de isolamento. Marina explica: “A gente passa muito do nosso tempo em tela, com a pandemia passamos a fazer tudo pelas telas. Então, você já ficou o dia todo no online e não quer ter que entrar em uma tela para encontrar alguém.”

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