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Comportamento

O que o novo consumidor brasileiro faz para não perder poder de compra?

Nove entre dez consumidores brasileiros reduziram consumo em 2015. Qual o perfil deste novo consumidor que emerge durante a crise? Para entender essas movimentações de consumo, conversamos com Renato Meirelles, presidente do Instituto Data Popular. Ele nos conta que há um esforço grande da população para tentar não parar de comprar. Consultamos, também, Luciana Stein Diretora para Américas do Sul & Central da Trendwatching, que trouxe apontamentos sobre o que baliza a preferência do consumidor quando chega a crise.

Um novo consumidor emerge para se adaptar à realidade quando períodos de crise chegam. Para tentar conter danos maiores durante a turbulência econômica – como perder o padrão de vida no futuro, ele busca mais equilíbrio entre o que paga e compra, define aonde os cortes vão ser mais rigorosos e escolhe os momentos em que vai se permitir gastar mais. Este consumidor não quer abrir mão da ascensão conquistada nos últimos anos, mas também entende que é preciso conter despesas para não se comprometer lá na frente.

Para as empresas, o momento é de dúvidas: o que este novo consumidor quer? Bom, se o perfil do público também se reinventou, uma das poucas certezas que restam é que as marcas também vão precisar se reinventar para entender como acontece a rota de consumo do novo consumidor. Neste momento, o seu cliente está dando menos corda aos impulsos na hora da compra e investe naquilo que é verdadeiramente importante pra ele, sem deixar de se permitir agrados, ainda que menos onerosos. O consumo não para; mas a programação muda.

RPC - Novo Consumo - Luciana Stein
“A sensação de controle na vida desse consumidor será muito importante”, acredita Luciana Stein, diretora para Américas do Sul & Central da Trendwatching.com

Segundo Luciana Stein, diretora para Américas do Sul & Central da Trendwatching, o mercado precisa considerar três eixos que se processam em períodos de crise. O primeiro, chamado de Fator Batom ou Lipstick Factor, se refere às pequenas indulgências que o consumidor global se presenteia. Reduzir o consumo, na cabeça do consumidor, não precisa ser sinônimo de viver sem qualquer prazer. “O consumidor se presenteia com pequenos luxos – um sorvete de 12 reais, por exemplo – quando os maiores luxos – as grandes viagens – são postergados. Os produtos e serviços que carregam um valor agregado, o que os brasileiros se acostumaram a chamar produtos com um ‘diferencial’, saem ganhando”, explica.

O segundo eixo fala sobre a importância do controle e de assumir algumas responsabilidades para reduzir o consumo, no estilo “faça você mesmo”. Como a crise econômica e política, conta Luciana, geram uma percepção de insegurança no consumidor, um dos movimentos que se adota é o de justamente “retomar o controle dentro do seu universo mais pessoal”. “O investimento passa a ser no âmbito individual. Produtos e serviços voltados ao melhoramento pessoal, ou seja: fazer ginástica, o kit de manicure, os produtos ‘faça você mesmo’”, afirma.

O último eixo se refere ao resgate de hábitos mais “caseiros”. Os investimentos de antes, como comer fora, são substituídos pelos investimentos dentro de casa. Tendo isso em mente, a pergunta mais importante que as marcas precisam fazer é: o que, dentro desse novo universo, posso oferecer ao meu consumidor?

Segundo Renato Meirelles, presidente do Instituto Data Popular, os brasileiros têm se esforçado para não parar de comprar ao mesmo tempo em que tentam economizar. As empresas precisam reconhecer este esforço e tentar se adaptar ao novo jeito de gastar: mais econômico, mas também mais criativo. “Na hora de comprar, o brasileiro pesquisa mais os preços, faz downgrade de marcas, estoca produto quando está em promoção, faz compras coletivas nas redes atacadistas, divide a conta com o vizinho e corta da lista produtos considerados supérfluos (embutidos, iogurtes, refrigerantes)”, explica.

Renato Meirelles
“O que eu posso garantir é que os brasileiros têm buscado diversas saídas estratégicas para não abrir mão do consumo”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto data Popular. foto: Patrícia Cruz

A mudança de rota não é exclusividade de uma classe, apenas. Segundo Meirelles, ainda que 54% da população brasileira pertença à classe C, todas as classes econômicas tem adotado medidas para reduzir os impactos da crise no consumo familiar. “Por isso, muitas famílias começaram a economizar, procurar produtos mais baratos, mudaram o comportamento para conseguir diminuir os gastos e aprenderam a identificar de verdade o que é necessário para efetivamente a família continuar vivendo bem”, finaliza. Vamos juntos pensar nas novas necessidades do consumidor brasileiro?

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