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Economia e Setores

“Empresas têm a oportunidade de mostrar que se importam com o coletivo”, diz especialista

Conversamos com a especialista em gestão de crise Ana Flavia de Bello Rodrigues sobre como as empresas têm a oportunidade de mostrar que se importam com o coletivo em meio a pandemia do coronavírus e a crise.

Algumas variáveis de mercado, somadas, caracterizam uma crise. São elas: ameaça grave + cenário de incerteza + necessidade urgente de ação. Tudo isso é o que se vem vivendo nas últimas semanas devido a pandemia do coronavírus. Frente a esse cenário, há como tirar do caos, uma oportunidade de fazer o bem.

Essa é a opinião da especialista em gestão de crise Ana Flavia de Bello Rodrigues. “Neste momento, as empresas têm a oportunidade de mostrar que se importam com o coletivo”, disse a profissional.

Ana Flavia de Bello Rodrigues é sócia-fundadora da agência Alerta de Crise. Foto: divulgação.

Ela também pontuou que, neste contexto, “cada vez mais a comunicação assume um papel preponderante na formação de reputação das organizações”, inclusive, perante os colaboradores de uma empresa. “Não apenas o consumidor valoriza atitudes solidárias neste momento, como potencializa o senso de pertencimento e orgulhos dos funcionários”, falou.

E ela arremata de forma positiva: “Tudo isso passará e teremos uma enorme oportunidade de aprender, nos desenvolver como indivíduos na sociedade e evoluir enquanto humanidade, com as lições aprendidas”, declarou a profissional.

Ana Flavia é sócia-fundadora da agência Alerta de Crise e conversou sobre o momento com o De Olho no Mercado. Confira o bate-papo na íntegra.

>> Coronavírus: como manter a postura profissional em um ambiente informal de home office

Por que o posicionamento é tão importante em momentos de crise?

Foi-se o tempo em que uma empresa vendia bons produtos e isso era suficiente para formar uma boa reputação de suas marcas. Hoje em dia os públicos que giram em torno de uma organização estão bastante antenados. Buscam saber se ela é uma boa empresa para os colaboradores, se tem ações sustentáveis, se incentiva inovações, se atua com ética no mercado, se seus líderes são inspiradores e até mesmo gostam de saber como ela se posiciona em relação a causas sociais e políticas. Neste contexto, cada vez mais a comunicação assume um papel preponderante na formação de reputação das organizações. Visto isso, em momentos de grande sensibilidade como o que estamos vivendo, as empresas têm uma grande oportunidade de demostrar o quanto se importam com o bem coletivo, por meio de ações concretas e de um posicionamento claro perante seu público.

Já se sabe por meio de pesquisas, por exemplo, que os funcionários confiam mais na sua empresa empregadora para obter informações sobre o coronavírus, do que por meio do Estado e da mídia.

É neste momento que o consumidor conhece melhor as marcas?

Neste momento, não apenas o consumidor valoriza ainda mais as atitudes solidárias de empresas, mas os seus colaboradores também. É uma chance de potencializar o senso de pertencimento e orgulho. Também é uma chance de reforçar a marca perante outros públicos como, por exemplo, investidores. Mostra que a organização está no caminho certo, o que pode, até, valorizar suas ações no mercado.

>> Agilidade! Como as empresas estão se comunicando frente ao coronavírus

Na prática,  o que é possível fazer para contribuir?

Temos visto diversas iniciativas de empresas com objetivo de contribuir, cada uma de sua maneira, dentro de suas possibilidades. Uma grande fabricante de bebidas, por exemplo, produzirá álcool em gel para distribuir a hospitais e um fabricante de cosméticos doará o mesmo produto à saúde pública. Algumas marcas de sapatos estão distribuindo tênis a profissionais da saúde. Uma indústria de eletrodomésticos que fabrica aspirador de pó passará a produzir respiradores para UTI. Redes de hotéis pelo mundo estão cedendo suas unidades para serem usadas temporariamente como hospitais. Supermercados criaram horários especiais para atender somente idosos e pessoas com necessidades especiais. Inúmeros restaurantes estão distribuindo marmitas para os plantonistas dos hospitais e também para pessoas carentes. Artistas, educadores, recreadores, profissionais do esporte criaram canais online para distribuir conteúdo grátis à população que está em casa. Empresas aéreas estão oferecendo passagens gratuitas a profissionais de saúde em viagens a trabalho. Grandes empresas de tecnologia disponibilizaram gratuitamente links de videoconferência, chats, entre outros. Estes são apenas alguns exemplos.

Eu acredito que o que pode nos trazer algum alívio, tanto em termos de saúde como economicamente falando, é esta “corrente do bem”.

>> Bons exemplos de comportamento de marca frente ao COVID-19

E o que não se pode fazer em momento de crise?

É inadmissível se aproveitar dos consumidores. Um exemplo é em relação ao preço dos produtos, como álcool em gel – algumas empresas que cobraram valores abusivos já estão sendo expostas negativamente nas redes sociais e na mídia.

Também é inaceitável deixar de priorizar o colaborador. É preciso respeitar a quarentena – claro que há setores essenciais que exigem a presença – mas aqui me refiro a outra parte. Também é necessário respeitar a carga horária de trabalho de quem está em regime de home office, do contrário, o resultado será funcionários menos engajados e penalizações legais em um futuro breve.

>> Confira dicas de como ser produtivo no home office

Vai passar?

Estamos vivendo uma crise de saúde pública com consequências econômicas negativas mundialmente sem precedentes (é uma ameaça grave); também há a incerteza: ninguém é capaz de prever exatamente o que vem pela frente porque o problema é altamente complexo e depende de muitas variáveis (cenário de incerteza); sendo assim, todos necessitamos tomar atitudes imediatas de prevenção como único caminho para a resolução desta crise ( já que é uma necessidade urgente de ação); por fim, tudo isso passará um dia e teremos uma enorme oportunidade de aprender com o que passou, nos desenvolver como indivíduos na sociedade e evoluir enquanto humanidade (serão as lições aprendidas).

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