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Economia e Setores

O papel das associações comerciais na retomada do comércio

Representantes de entidades do interior do estado falam sobre como as associações têm ajudado os lojistas, além dos desafios e aprendizados vivenciados pelo setor

Comércio retoma vendas, mas sem descuidar da prevenção ao coronavírus. Foto: Ivan Amorin/ Divulgação

A pandemia trouxe a desaceleração do comércio em todo o país. Para tentar ajudar na recuperação do setor, as associações comerciais têm exercido um papel muito importante como ponte entre governo e lojistas. Ações de conscientização e incentivo às compras e, principalmente, ao consumo local, têm sido lideradas pelas entidades. Mas isso sem deixar de lado a preocupação e os cuidados que o momento exige.

O Blog De Olho no Mercado conversou com três associações de algumas das principais cidades do interior do estado: Londrina, Maringá e Cianorte e Ponta Grossa. Para os entrevistados, depois de alguns meses difíceis, já é possível observar a retomada nos negócios. Além disso, eles reforçam os aprendizados que podem garantir um setor ainda mais preparado para adversidades. Confira as entrevistas:

Londrina

Como está sendo a atuação da ACIL – Associação Comercial e Industrial de Londrina nesse momento junto ao comércio local?

Fernando Moraes, presidente da ACIL: A ACIL, junto com outros setores, elaborou uma série de protocolos para que o setor produtivo de Londrina pudesse retomar suas atividades. Sempre dentro de medidas de saúde e segurança para a contenção da Covid-19. Conquistamos esse retorno, com cautela, e agora monitoramos diariamente as condições do setor de saúde como hospitais e leitos. Isso serve para que novas ações sejam pensadas e pleiteadas para não permitir que a saúde da economia e das empresas também seja prejudicada. Como exemplo, podemos citar a solicitação de horário estendido naqueles dias em que há grande fluxo de pessoas nas ruas, como datas comemorativas, dias de pagamentos e liberação de benefícios nos bancos.

Também levamos à prefeitura uma proposta para retomada das praças de alimentação dos shoppings. É um segmento que está há 90 dias fechado e já não tem mais como sustentar essa situação. Junto a essas ações, reforçamos todos os dias aos lojistas e à população a importância de cumprir todos os protocolos de saúde. Fazendo isso haverá mais chances de não precisarmos fechar a cidade novamente.

 

 

Quais ações estão sendo promovidas para tentar ajudar o comércio?

Logo no início da pandemia corremos contra o tempo para antecipar um projeto que tínhamos previsto para o segundo semestre: o Entrega Londrina. Trata-se de uma plataforma, disponível no formato marketplace via site e também em aplicativo para celular, com o oferecimento de modo delivery, aberta a todos os empresários interessados em participar. Nosso objetivo foi aproximar lojistas e compradores, oferecendo uma alternativa rápida, eficiente e segura aos comerciantes a partir do período de restrições impostas ao setor produtivo por causa do novo coronavírus. Além disso, é uma maneira de estimular o consumo de produtos e serviços de empresas da cidade.

A oferta de conteúdos corporativos e empresariais, por meio de lives e até palestras gratuitas, também contempla nosso quadro de ações, já que é um período de transformações, insegurança e novidades. Outra frente de atuação da ACIL é justamente provocar constantemente campanhas que incentivem os consumidores a comprarem no comércio local, valorizando o que é nosso e fomentando a economia e o desenvolvimento de Londrina.

A disponibilização de linhas de crédito com taxas mais baixas também está em nosso escopo de medidas para ajudar o empresário londrinense a passar por este momento difícil de uma forma menos dolorosa.

Quais estão sendo os desafios e aprendizados?

De uma hora para outra nos deparamos com situações que empurraram as empresas para a necessidade de reinventar e repensar com urgência seus modelos de negócios. Modelos off-line, por exemplo, tiveram que se digitalizar para permanecer no mercado. A pandemia acelerou a consolidação do perfil do consumidor, que está mais atento, exigente, conectado e muito mais preocupado com a saúde. A venda a distância e o propósito da marca também foram decisivos para esse momento de mudanças e adaptações. Junto a isso, e acredito que o mais desafiador, foi enfrentar tantas mudanças com a crise que se instaurou devido ao fechamento da cidade. Mas acreditamos que através da empatia, da resiliência e da união de forças seremos capazes de superar esse período de instabilidade.

Poderia compartilhar quais ações têm trazido resultados positivos?

As ações voltadas para incentivar a compra local tem dado muito certo. Já percebemos uma mudança no olhar do consumidor, muito mais preocupado com sua cidade. O projeto Entrega Londrina também foi muito bem recebido pelas empresas locais e hoje já são mais de 200 lojas cadastradas, com mais de 3 mil produtos ofertados ao consumidor.

comércio na pandemia
Equilíbrio entre cuidados com a saúde e funcionamento do comércio é uma das preocupações das entidades. Foto: Unsplash

Cianorte

Como está sendo a atuação da ACIC – Associação Comercial e Empresarial de Cianorte nesse momento junto ao comércio local?

Hércio Correia de Oliveira, presidente da ACIC: O que nos cabe no momento em que estamos vivendo é manter os nossos associados informados das ações governamentais e medidas provisórias que trazem programas de ajuda emergencial àqueles que necessitam de recursos financeiros para atravessar essa turbulência em nossa economia. Estamos em contato constante com o prefeito para nos atualizar e discutir as medidas restritivas do funcionamento do comércio. Também acabamos de lançar um material de mídia televisiva e impressa para fomentar a consciência do consumo local. O slogan é “Compre aqui, gaste aqui, invista aqui, afinal somos Cianorte.”

Quais estão sendo os desafios e aprendizados desse período?

Cada um, com sua criatividade, tem procurado se reinventar dentro do seu próprio negócio, mudando a linha de produção de um produto para outro. Ex: empresas que produziam camisas passaram a usar parte da sua unidade fabril para produzir máscaras.

 

Quanto ao aprendizado,  organizar as finanças de modo a se criar a cultura da poupança para fazer frente às necessidades de caixa quando surpreendidos por situações que fogem ao controle. Esse será um dos aprendizados que devemos tirar do que estamos vivendo no momento. Vale ressaltar que sentimos um otimismo na classe empresarial nos dias de hoje. Há crescimento lento nas vendas, mas que dá uma confiança na melhora progressiva no volume de vendas em relação aos meses de março e abril.

 

 

Maringá

 

Como está sendo a atuação da ACIM – Associação Comercial e Empresarial de Maringá nesse momento com o comércio local?

Michel Felippe Soares,  presidente da ACIM: Desde o início da pandemia na cidade, a ACIM manteve diálogo frequente com o poder público para discutir o equilíbrio entre a proteção da população e a viabilização dos negócios. Apresentamos estudos para garantir a retomada gradativa das atividades e sugestão de cronograma de reabertura. Tudo baseado em indicadores de uso do transporte coletivo, perfil dos colaboradores e porte das empresas. Foram estudos feitos com o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar de médicos, geógrafos, estatísticos, empresários, lideranças e uso de programas de geolocalização.

Quais ações estão sendo promovidas para tentar ajudar o comércio?

Fizemos parcerias com instituições de crédito, que ofereceram linhas emergenciais para capital de giro com taxas acessíveis. Juntos, Noroeste Garantais, Sicoob e Fomento Paraná beneficiaram quase 3 mil micro e pequenas empresas, com R$ 50 milhões em crédito. Nos próximos dias, teremos outra novidade. Por meio de uma parceria da ACIM, Noroeste e Sicoob, vamos disponibilizar R$ 10 milhões para micro e pequenas empresas.

Outra linha de atuação é em relação à difusão de conhecimento. Temos realizado lives semanais, além de vídeos e podcasts sobre diversos assuntos, como marketing digital, dicas para evitar o coronavírus, medidas provisórias do governo federal, entre outras. Também disponibilizamos cinco cursos a distância da plataforma da ACIM, tudo sem custo. Trabalhamos em várias frentes para contribuir com a saúde da população e financeira das empresas.

 

Quais estão sendo os desafios e aprendizados?

As empresas tiveram que criar, rapidamente, canais digitais de vendas. São exemplos: e-commerce, atendimento por whatsApp e drive-thru. E ainda trabalharam com equipes remotas, por meio do home office. Algumas dessas mudanças estavam em curso, mas foram bastante aceleradas durante a pandemia e deverão permanecer após este período.

Empresas passaram a usar plataformas de reuniões online, o que no futuro deve diminuir os deslocamentos. Muitos empresários também entenderam que no primeiro momento não era hora de vender, e sim de se relacionar e oferecer informações ao seu público, principalmente por meio de lives. As empresas comprovaram ainda que é possível ter produtividade no home office, e isso deverá permanecer pós-pandemia. Mas há também setores que estão com muitas dificuldades, como o turismo e eventos. Essas atividades estão muito aquém do ponto de equilíbrio de um negócio e terão grandes desafios.

E o que tem dado certo? 

Mais uma vez, a sociedade tem sido colaborativa. Em Maringá, dezenas de pessoas físicas e jurídicas contribuíram com uma campanha da Associação Comercial voltada para a saúde pública. Entre recursos da entidade e essas contribuições levantamos R$ 1,7 milhão. O recurso foi usado para a compra de respiradores, monitores, oxímetros, medidores de sinais vitais, cufômetros, entre outros equipamentos para o Hospital Universitário de Maringá (HUM) e o Hospital Municipal. Compramos milhares de máscaras para profissionais da saúde, associados e população, doamos luvas, aventais, álcool gel e outros suprimentos.

Esse envolvimento somado às ações do poder público ajudaram a achatar a curva de contágio em Maringá. Fizemos campanhas de conscientização sobre a importância do uso de máscaras, do álcool gel e do distanciamento social.

Quais os próximos passos?

Teremos o desafio de ajudar as empresas a voltar a crescer e os profissionais a se recolocar no mercado. Para isso, estamos desenvolvendo uma campanha de incentivo ao comércio local e vamos contribuir com a inovação. Por meio do Inovus, um espaço que inauguramos em março , oferecemos o trabalho de consultores para estimular a inovação em produtos e serviços. Teremos grandes desafios, mas usaremos uma fórmula conhecida pela sociedade maringaense, a união e a colaboração para superar esses desafios.

Ponta Grossa

Comércio em Ponta Grossa começa a voltar a fucnionar. Foto: André Salamucha/RPC Ponta Grossa
Como está sendo a atuação da Acipg – Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa: nesse momento com o comércio local?

Gilmar Denck, executivo da Acipg : Temos que separar alguns aspectos, o primeiro foi o impacto das restrições, que pegou todo mundo desprevenido. Depois, o entendimento de que tudo é novidade e de ninguém sabe ao certo os impactos. Então, começamos por trabalhar apoiando os decretos municipais, ao lado da prefeitura. Em um segundo momento, debruçamos todas as nossas equipes para trabalhar em dois sentidos diferentes. A criação de um comitê de crise,  com apoio jurídico, financeiro, econômico, estratégico, de todas as áreas da gestão, para apoiar os associados e os empresários. E uma outra equipe passou a se dedicar ao estudo dos impactos econômicos, junto com todas as associações da região. Esse projeto também englobou a análise de questões sanitárias e de saúde, além de entrevistas com especialistas em  epidemiologia. O resultado nos mostrou que forma como a situação vinha sendo tratada estava prejudicando a economia e sem resultado efetivo na redução da curva. Agora, junto ao Ministério Público, construímos uma campanha de conscientização de que a população precisa muito mais de hábitos e atitudes do que do comércio fechado.

Quais ações estão sendo promovidos para tentar ajudar o comércio?

Gilmar Denck, executivo da Acipg – Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta GrossaPrimeiramente, muita orientação e busca de parcerias com bancos e entidades financeiras, para dar esse suporte aos empresários. Estamos também criando alguns projetos. Mês que vem iremos lançar marketplace Compras PG, uma plataforma de e-commerce da entidade para o associado, com custo reduzido. Junto a isso, trabalhamos com uma campanha muito forte de valorização do comércio local, incentivando a população a comprar da sua cidade e do seu vizinho.

Também temos um plano de desenvolvimento econômico, em que vamos trabalhar a economia dos bairros, para fazer a pequena economia girar. Reestruturamos o programa Empreender, de desenvolvimento setorial. Outra ação foi colocar nossa equipe em um sistema de relacionamento com o associado, com ligações diárias, buscando dar suporte emocional e técnico.

Quais estão sendo os desafios e aprendizados?

O vírus veio nos ensinar que é muito mais fácil trabalharmos juntos, no sentido de unidade, de associativismo. Não sabemos ao certo que mundo teremos depois da pandemia, mas uma coisa é certa, será outro mundo. Teremos uma grande evolução das mídias digitais e estamos investindo nisso, como o nosso canal no Youtube. Por isso, criamos aqui dentro uma universidade de negócios, com um MBA em capacitação digital. Estamos desenvolvendo um departamento de inteligência de mercado e de inteligência competitiva, para buscarmos informação e seremos fontes seguras de informação para nosso associado. Precisamos nos unir.

 

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