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Economia e Setores

Mercado de luxo na construção civil cresce e tem perspectiva positiva para 2022

Imóveis voltaram a ser foco de investidores e de proteção patrimonial por conta de instabilidade no mercado financeiro; vista privilegiada, sustentabilidade e tecnologia são tendências

Neo House By Just é o primeiro smart home de Maringá, e privilegia aspectos como vista, localização e tecnologia. Foto: Divulgação/Just.

Desde fevereiro de 2020, o mercado de construção civil  não tinha um resultado de alta simultânea em vendas. Segundo dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), os lançamentos de imóveis apresentaram uma alta de 45% no primeiro trimestre de 2021 em comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado é ainda melhor para os empreendimentos dos segmentos médio e alto padrão (chamado de MAP): aumento de 118% nos lançamentos. 

Tempo maior em casa por conta da pandemia de coronavírus, proteção patrimonial (considerando o momento de instabilidade no mercado financeiro) e o retorno do imóvel como investimento são alguns dos aspectos apontados pelos entrevistados do De Olho no Mercado para o bom resultado. 

Lançado a menos de um mês, o Neo House by Just, da Just Construtora, em Maringá, já vendeu 90% das unidades dos apartamentos do edifício, o primeiro smart home da cidade, próximo ao parque Ingá, no centro. A construtora investiu em tecnologias  como a de fechaduras eletrônicas, espaço para carregamento de carros elétricos, piscina, lavanderia compartilhada, piscina privativa, áreas comuns (cuja reserva pode ser feita pelo morador via aplicativo), guaritas blindadas e até um minimercado.

 

No Neo, por conta da metragem (44 a 57 ), cerca de 50% das vendas foram para investidores e o restante a moradores (sendo que foi oferecida a possibilidade de unir dois apartamentos). “Foi um ano de mercado bem vendedor para as construtoras”, diz a diretora da Just, Luciana Just Bertocco. 

Nem a inflação, que também atingiu os materiais ligados à construção (que acumula alta de 22% em um ano, de acordo com o Índice Nacional da Construção Civil, medido pelo IBGE), o que também aumentou o preço dos imóveis, desaqueceu o mercado. “Isso foi revelador. Tivemos muitos reajustes e o mercado acabou absorvendo essa valorização”, conta a diretora.

 

 

Na Construtora Laguna, em Curitiba, 2021 será o de maior volume de lançamentos em 25 anos de empresa, fala o diretor de incorporação da empresa, André Marin.

“Alguns fatores econômicos, como alta de juros e inflação, podem impactar o mercado no curto prazo. Porém, focamos na qualidade dos produtos e excelentes localizações para oferecer um diferencial aos clientes.”

 

Vista privilegiada

Além da construção nas consideradas áreas nobres das cidades, os apartamentos do segmento MAP têm outra característica em comum: vistas privilegiadas. Esses imóveis foram os de maior sucesso nas vendas da GT Building, de Curitiba.

“Como exemplo temos o Casa Milano, no Champagnat, eleito o empreendimento do ano pela Ademi-PR, que teve 50% das unidades vendidas no lançamento. E vendeu de cima para baixo, mostrando a valorização dos apartamentos com melhor vista”, conta o diretor da GT, João Alfredo Thomé. Segundo ele, há forte demanda por imóveis de médio-alto padrão, foco da empresa, que deve crescer 80% em 2021 em relação a 2020. 

Para 2022, a GT prevê quatro lançamentos, todos com a vista dos imóveis como um dos principais chamarizes. “Os nossos empreendimentos são baseados em três pilares: sustentabilidade, tecnologia e inovação. Todos eles possuem selos de certificação ambiental e utilizam tecnologias construtivas inovadoras. E, em alguns anos, todos os nossos empreendimentos terão itens controlados por voz”, frisa Thomé. 

Plantas personalizáveis são uma outra tendência apontada por Thomé como essencial nos imóveis de Médio e Alto Padrão.

 

 

“Nosso último lançamento, o Explore Botânico, é exemplo disso. Lançamos uma plataforma no estilo e-commerce: nela, o cliente escolhe desde a planta, com variações em número de quartos e disposição de cômodos.” 

 

 

 

Outras tendências de luxo

Além disso, Thomé fala que o cliente escolhe até acabamentos do imóvel, como pisos da área social e íntima, projeto de iluminação, tampo da cozinha e itens de banheiro. “Tudo pelo site da incorporadora, antes mesmo de fechar o negócio. E o melhor: o valor é incluído no financiamento. Ou seja, quando o morador pega as chaves, não precisa arcar com o custo de pisos e acabamentos, o imóvel já está pronto”, explica. 

Pensar em espaços que tornem o ficar em casa confortável e funcional é outro elemento imprescindível para esse segmento, ressalta o presidente-executivo do Grupo Galmo, de Londrina, Fernão Galindo.  “As pessoas mais do que nunca passaram a dar mais valor à moradia. Ficaram em casa, estudaram e até mesmo trabalharam nesses espaços, sentindo necessidade de ter locais bem pensados e desenvolvidos para isso.”  

De acordo com Galindo, os projetos da Galmo já contemplavam ambientes planejados, mas agora é essencial oferecer espaços exclusivos para home office e quartos dimensionados para locais de estudo e aulas on-line, além de apartamentos com varanda gourmet para receber a família e amigos.

Piscina coberta no empreendimento Verona, da Galmo: área comum para melhorar qualidade de vida. Foto: Galmo/Divulgação.

” A área de lazer toda equipada e completa também faz toda a diferença para proporcionar mais qualidade de vida”, salienta. A Galmo também sentiu o aquecimento das venda e alguns produtos, tanto comerciais como residenciais, atingiram 100% das unidades vendidas. 

No caso dos imóveis de luxo, fora a tecnologia, sustentabilidade, área externa privativa, excelente localização e vista privilegiada, o mercado pede que os lançamentos sejam entregues equipados e mobiliados, ressalta a diretora da Just, Luciana Bertocco. “Trazer um mobiliário autoral ou até mesmo uma obra de arte é outra característica. Precisa ter um valor agregado”. 

2022:  novos lançamentos 

Por mais que o mercado de incorporação seja cíclico, Luciana acredita que o ano de 2022 seja de continuidade da boa maré de 2021 no mercado imobiliário. “Apesar de ser um ano eleitoral, o que sempre afeta um pouco, a gente ainda acredita que será positivo”, avalia. A GT Building, de Curitiba, deve ter cinco empreendimentos com Valor Geral de Venda estimado em R$ 315 milhões. 

Para Fernão Galindo, da Galmo, de Londrina, a projeção para o ano que vem é positiva. “O mercado de imóveis continua sendo uma excelente opção de investimentos e proteção patrimonial”, salienta. 

 

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