Menu Busca

Economia e Setores

Materiais para casa e construção têm alta expressiva e o desafio é a falta de matéria-prima

Em diversas regiões do Paraná a demanda não acompanhou a produção da indústria; crescimento expressivo pode ser atenuado em 2022, preveem empresários

O setor de casa e construção no Paraná apresentou crescimento expressivo em relação ao mesmo período do ano passado.  No primeiro semestre de 2021, a venda de materiais de construção no aumentou em 22% no estado desconsiderando a inflação, de acordo com o PMC – IBGE. Já a produção de móveis teve crescimento de 28,4% na soma de janeiro a junho de 2021, de acordo com o a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.

Os resultados positivos, após um ano que registrou quedas fortes na produção, desperta otimismo nos empresários. A escassez de matérias-primas vem sendo contornada pelos dois setores, mas gera um sinal de alerta sobre como será 2022.

O Blog De Olho No Mercado conversou com alguns gestores, em diversas regiões do Paraná, para entender melhor como têm sido os últimos meses e quais as perspectivas para o ano que vem.

 

Móveis Campo Largo cresceu 35% em relação a 2020

 

O patamar de rentabilidade foi retomado na Móveis Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba. Conforme conta Edson Luiz Marochi, diretor da empresa, o ano de 2020 foi desafiador: as lojas físicas permaneceram fechadas por mais de 45 dias, enquanto a indústria própria também paralisou por um mês.

 

 

O 4º trimestre do ano deve ser menos intenso: a empresa, afirma Marochi, está praticamente impossibilitada de vender e entregar móveis ainda em 2021, por conta do consumo elevado em meses anteriores.

 

“Nosso crescimento em 2021 está estimado, atualmente, 35% maior que em relação ao ano passado. Como todos, sofremos muito com a escassez e as altas absurdas de matérias-primas. Isso dificulta a comercialização, pois o poder aquisitivo não acompanhou tal evolução. Durante a pandemia, tivemos um crescimento acima de 60% na venda de colchões e móveis planejados” – Edson Luiz Marochi, diretor da Móveis Campo Largo.

 

Para 2022, Marochi aposta em uma “acomodação” do mercado: uma estabilização dos preços e prazo de entrega, com menos voracidade dos consumidores em compras. Para o empresário, será um ano delicado também por conta do cenário político, que pode influenciar nas incertezas dos brasileiros.

 

 

“Porém, temos o fato da construção civil estar bem aquecida, o que nos sustenta a perspectiva de um ano muito próximo a 2021”, avalia. “Atualmente a nossa linha de móveis planejados corresponde a maior parte de nossas vendas: acima de 20% do nosso faturamento”.

 

Casa Nova Ambientes Planejados, em Pato Branco, tem o melhor ano desde 2011

 

Administrador da Casa Nova Ambientes Planejados, em Pato Branco, Fabio Santos conta que a empresa tem o melhor faturamento dos últimos 10 anos, já em outubro. O carro-chefe, no momento, tem sido a venda de ambientes comerciais e residenciais.

 

“Seguimos uma linha de crescimento, na verdade, até inesperada. Por outro lado, a escassez de matéria-prima e aumento dos custos dificultaram um salto ainda maior. E também lidamos com a falta de mão de obra: na marcenaria de projetos exclusivos, mesmo com maquinário moderno, a mão do marceneiro é o que realmente faz a diferença”. – Fabio Santos, administrador da Casa Nova Ambientes Planejados.

 

Para 2022, o empresário espera um crescimento ainda maior que 2021, puxado pela construção civil. O sudoeste do Paraná, aponta ele, está a todo vapor: o 4º trimestre do ano deve ser intenso, com muitas pessoas procurando ajeitar as casas para receber amigos e familiares no fim do ano.

 

Nichele, em Curitiba, teve crescimento de 20% nas vendas em 2021

 

 

Marca conhecida dos curitibanos, a Nichele teve um ano de recuperação e planeja estender os números para 2022. Houve um crescimento de 20% nas vendas em relação ao período anterior, com mais ofertas e baixando as margens de lucratividade, conta o diretor comercial da Nichele, Cristiano Nichele.

“Para 2022, temos perspectiva de 10% de aumento em relação a 2021. A procura aumentou nos produtos ‘faça você mesmo’ (bricolagem), tintas, iluminação, ferramentas e decoração em até 40%. No 4º trimestre do ano, esperamos estabilidade como reflexo da vacinação e uma Black Friday com o triplo da nossa média diária de vendas”.

 

 

Loja de construção em Cascavel observa maior procura por materiais como piso e porcelanato

 

Dono da Construcal, loja de materiais de construção em Cascavel, Tiago Kroth conta que o ano, apesar de surpreendente, trouxe notícias que brecaram o poder de aquisição dos brasileiros. Uma delas, como é de conhecimento geral, é a inflação acentuada: a desvalorização do real encareceu produtos no segmento de material bruto, por exemplo.

Apesar disso, Kroth conta que o crescimento em 2021 foi de 100% sobre o faturamento do ano anterior. Uma excelente notícia para a Construcal, que conta com o maior showroom de pisos da região e tem, também, os porcelanatos como destaques.

 

“Somos um verdadeiro ‘shopping do piso’. Estamos trabalhando para diluir essa queda na venda do material bruto com ações estratégicas. Black Friday e Natal vêm para equilibrar os números. Contamos com as novidades da indústria para oferecer ao cliente tudo de mais novo em acabamento em geral”.

Base Forte Acabamentos tem bom ano apesar de aumento em produtos

 

Julio Cesar Cabral, gerente de vendas da Base Forte Acabamentos, em Ponta Grossa, conta que as restrições impostas pela pandemia fizeram a loja ter um desempenho abaixo do esperado em 2020. Portanto, 2021 tem sido até um bom ano em comparação com o anterior.

 

“Acredito que 2022 será um ano um pouco mais difícil, principalmente por estarmos tendo uma variação muito grande nos preços para cima”, avalia ele, que conta que esse fato foi  o que desacelerou a retomada da loja: “a parte de acabamentos como pisos, porcelanatos, revestimentos, louças, metais, materiais elétricos e tintas foram alguns dos itens que mais tiveram procura neste período. Por conta da falta de matéria-prima, algumas indústrias suspenderam as suas vendas e algumas pediam ate 270 dias para entrega. Isso gerou uma inflação em alguns itens e, em alguns casos, aumento de até 90% nos preços”, afirma Cabral.

No 4º trimestre de 2021, o gerente de venda espera um reaquecimento das vendas, com mais dinheiro em circulação e o recebimento do 13º salário. A expectativa reside também nas campanhas de Black Friday, que a Base Forte irá oferecer em novembro.

“Já o mês de dezembro para o segmento é o pior mês do ano”, avalia. “Quem tem que construir ou reformar só ira terminar o que começou ou só irá iniciar algo a partir de janeiro”.

 

Loja de móveis em Londrina atribui ao “novo normal” alta nas vendas

 

A Peratto Móveis, em Londrina, também tem um ano que está superando as expectativas. Para Guilherme Fonzar Vicente, proprietário da loja, o “novo normal” segue como grande responsável pela alta nas vendas.

“Muita gente mudou de casa ou quis renovar os ambientes. Estamos em uma fase de crescimento, apesar de tudo estar mais lento por falta de matéria-prima. Acreditamos que em 2022 isso se normalizará”. – Guilherme Fonzar Vicente, proprietário da Peratto Móveis.

 

 

 

Vicente conta que, em Londrina, a alta nas vendas foi bem homogênea: mesas de jantar, cadeiras, estofados e poltronas têm atraído interesse de todo o público consumidor, sem um destaque específico. Para o Natal, o empresário aumentou os estoques para dar conta. “Teremos à disposição do cliente tudo que ele procura para o fim do ano”, diz.

 

Qual é o seu case de sucesso durante 2021? Entre em contato e compartilhe com a Negócios RPC!

 

Artigos relacionados

0 respostas para “Materiais para casa e construção têm alta expressiva e o desafio é a falta de matéria-prima”

Deixe uma resposta