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Economia e Setores

Momento de oportunidade para os produtos de limpeza

Para reduzir gastos com itens de limpeza, consumidores têm trocado marcas líderes por concorrentes menores e passam a adotar postura planejadora. Economia inclui também serviços de faxineira.

Reduzir custos para não passar aperto tem sido rotina para a maioria dos brasileiros neste ano. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o consumo das famílias brasileiras, que representa cerca de 60% do PIB do país, apresentou queda pela primeira vez nos últimos 12 anos.

O jeito tem sido encontrar novas alternativas de consumo, deixando de lado o supérfluo para conseguir levar para casa todos os itens necessários de alimentação e manutenção do lar. Uma das categorias que tem puxado a alta do preço da cesta básica nacional são os itens de limpeza. Ano passado, no Paraná, os produtos de higiene e limpeza apresentaram alta acima da inflação. Do início ao fim de 2014, o desinfetante chegou a custar 53% a mais.

No setor de limpeza industrial, de acordo com Melek, a diminuição de volume de vendas sofreu impacto grande. Em média, 20% menos vendas em relação ao ano passado
No setor de limpeza industrial, de acordo com Melek, a diminuição de volume de vendas sofreu impacto grande. Em média, 20% menos vendas em relação ao ano passado

Mas apesar dos preços, segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná (Sinqfar) Marcelo Melek, os produtos de limpeza doméstica vendidos no varejo não apresentaram queda expressiva de consumo tão significativa, já que são necessários no dia a dia. “As pessoas não deixam de comprar o produto de limpeza, porque são necessários. Na crise, o consumidor se protege fazendo a troca de marcas. Ao invés de comprar o sabão em pó líder de mercado, se abre para a compra de produtos menos conhecidos. E, claro, avalia muito mais o desperdício”, explica Melek.

Do detergente para o sabão em pedra ou mesmo o amaciante, considerado um produto supérfluo para as classes C e D, as estratégias são várias. “A compra fica mais seletiva. O consumidor volta a fazer a lista de mercado e não coloca nenhum produto a mais, só o necessário”, acredita o presidente do Sinqfar.

A compra de produtos das marcas líderes acaba ficando para outro momento. Hora das empresas de menor porte apresentarem ao consumidor propostas de melhor custo benefício. “Muitos estão experimentando produtos de marcas relativamente conhecidas e com preços mais atraentes. É o caso da Crivialli. A maior concentração dos nossos consumidores está na classe C, porém, em razão dos últimos lançamentos de produtos, estamos atingindo também consumidores da classe B”, afirma João Cantagalli, diretor comercial da marca.

A Crivialli, empresa de produtos de limpeza em diversos segmentos, localizada em Maringá, teve crescimento de 11,2% este ano em relação ao mesmo período de 2014. “Esse número está 2,5% abaixo de nossa meta para o período. Temos planos para atingir a nossa meta por meio de campanhas e promoções ao consumidor direto no ponto de venda”, explica Cantagalli.

Planejar para economizar

De acordo com o levantamento online realizado pela consultoria GFK, na última semana de julho deste ano, foram observadas modificações de comportamento de compra relacionadas a 16 categorias de produtos básicos. Dos que responderam o levantamento, cerca de 37% afirmaram que a substituição de marcas é uma estratégia de redução de custos no orçamento familiar.

A enfermeira Rita de Cássia Schmitz, 62 anos, moradora do bairro São Francisco, em Curitiba, tem acompanhado este movimento. Desde o começo do ano, tem substituído os produtos de limpeza de marcas líderes por outros mais acessíveis. “Testei vários produtos de outras marcas. A maioria tem valido a pena, como a água sanitária. Mesmo se o preço da marca que eu costumava comprar baixar, vou continuar comprando do mais barato. É muito mais em conta e tão bom quanto”, afirma.

O diretor comercial da Crivialli conta que a empresa tem percebido redução nas vendas de produtos cuja compra é feita por impulso: “A linha automotiva de limpeza, por exemplo, sofreu um decréscimo de 3% em volume comparado com o último trimestre deste ano”, afirma.

Despesas com serviços de faxina também são reduzidas

Não é só no supermercado que o consumo por impulso tem diminuído. Josilene Conrado, proprietária da agência doméstica Santa Marta, explica que grande parte dos clientes que contratavam diaristas e faxineiras da sua empresa esporadicamente tem evitado o serviço. “Aquela pessoa que solicitava diárias pontuais sem uma rotina mensal fixa não está mais pedindo pelo serviço. Mesmo com o valor das diárias mais baratas no mercado, são pessoas que, para economizar, estão dando conta da rotina de limpeza sozinhas”, afirma.

Paranaenses têm feito a própria faxina doméstica para economizar na contratação de serviços especializados
Paranaenses têm feito a própria faxina doméstica para economizar na contratação de serviços especializados

Há clientes, no entanto, que não podem abandonar a assistência doméstica feita por diaristas, segundo Josilene. São mães que trabalham e que não conseguem fazer a manutenção do lar devido ao excesso de responsabilidades. “O que esse público tem feito é espaçar as contratações. Se antes pedia uma vez por semana, agora está contratando a cada quinze dias. São clientes que têm economizado em outras áreas do orçamento familiar, apertando os gastos para conseguir ter o auxílio da profissional no lar”, explica a proprietária.

Paranaense tem evitado gastos por impulso

Segundo dados divulgados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR), o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) alcançou o menor número no mês de agosto em seis anos, no Paraná, com 88,8 pontos. Em comparação ao mesmo período de 2014, o indicador apresentou redução de 34%. O freio no consumo, de acordo com a Fecomércio-PR, é mais evidente entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos. No entanto, mesmo com o ICF em baixa no estado, o indicador paranaense está acima da média brasileira.

E, se por um lado a diminuição de consumo desacelera a economia, por outro tem motivado a redução do endividamento. De acordo com a Fecomércio-PR, o comportamento prudente e planejador do paranaense tem ajudado a aliviar as pendências financeiras e a equilibrar o orçamento familiar. “A queda gradual na intenção de consumo, também monitorada por nossa instituição, apesar dos reflexos negativos para o varejo, tem seu lado positivo, que é a redução no endividamento”, justifica o presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac PR, Darci Piana, em comunicado feito pela instituição.

O percentual de endividados ficou em 85,9% em agosto, ante 87% em julho e 88,8% em agosto do ano passado. Além disso, as contas em atraso e a falta de condições de pagamento também estão mais otimistas. Em agosto, apenas 23,7% dos endividados estão com os pagamentos atrasados, situação relatada por 24,3% em julho, e os que não terão condições de quitar suas contas são 7,6%, mas chegavam a 9,2% no mês passado.

Atitude poupadora do paranaense, apesar de desacelerar a economia, tem melhorado o planejamento do orçamento familiar
Atitude poupadora do paranaense, apesar de desacelerar a economia, tem melhorado o planejamento do orçamento familiar

Com a mudança do comportamento do consumidor, empresas e famílias precisam reorganizar o orçamento para driblar a crise econômica, revendo prioridades e buscando novas alternativas de consumo.  Por isso, atitude poupadora do paranaense, neste momento, era mais do que esperada. “O segmento de produtos de limpeza sabe que os produtos tiveram uma alta grande no ano anterior. Por isso, temos evitado repassar novas altas ao consumidor. O mercado não absorve. Estamos nos organizando como dá para, pelo menos, segurarmos o contingente de empregabilidade”, finaliza o presidente do Sinqfar.

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4 respostas para “Momento de oportunidade para os produtos de limpeza”

  1. alex says:

    muito bom o que aprendi.

  2. Excelente ler artigos que agregam valores. Parabéns

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