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Coronavírus

Dia da Indústria: os novos rumos do setor diante da crise do coronavírus

No Dia da Indústria o De Olho no Mercado apurou o que esperar do setor no pós-crise do coronavírus. Confira!

O Dia Nacional da Indústria é comemorado no dia 25 de maio. Neste ano, a data está imersa em um cenário atípico devido a pandemia do coronavírus. Estudos mostram que, apesar do cenário estar ainda muito nebuloso,  a economia já vem sentido um retorno gradual, em âmbito mundial, é o que aponta a pesquisa “Economia em tempos de COVID-19”, do Observatório Sistema Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), divulgada no último dia 14.

No entanto, é inegável as mudanças significativas na produção, no mercado de trabalho e na educação do setor. O De Olho no Mercado conversou com especialistas sobre os impactos e o que esperar.

A indústria pós-pandemia

No momento, o setor industrial é afetado diretamente pela recessão. A pesquisa da Fiep mostra que a indústria sofre com interrupções no fornecimento de matérias-primas e insumos; também com forte alteração nos preços desses materiais, principalmente importados. Além disso, enfrenta uma possível queda nas vendas de bens duráveis, um provável aumento na demanda por bens não duráveis e perecíveis e problemas nos setores de logística e distribuição.

Mas apesar da incertezas, é possível traçar algumas caminhos para a retomada.“A gente viu o cenário se transformar em questão de dois meses, então é preciso se preparar para o melhor e para o pior”, explica a economista Michelli Stumm, autora da pesquisa.

Michelli Stumm é economista e analista de desenvolvimento econômico. É autora da pesquisa “Economia em tempos de COVID-19” publicada pela Fiep-Pr. Foto: divulgação.

O cenário mais plausível, segundo Michelli, baseado em outras crises, mas entendendo a particularidade desta, seria uma retomada em uma “curva U”.

“É como se os fatores da crise acompanhassem o desenho da letra U. O que representa uma queda rápida do PIB, com aguda contração, seguida de uma recuperação mais lenta. A pesquisa aponta que esse é um cenário plausível para a Covid-19, mas ainda é preciso mais evidências para considerá-lo válido”, aponta a economista.

Fonte: Do relatório “Economia em tempos de COVID-19”, do Observatório Sistema Fiep.

Tendências

No pós-pandemia, a economista aponta possíveis legados que poderão ser deixados pela crise. Entre eles, a possibilidade de desenvolvimento de cadeias globais de valor mais descentralizadas ou fragmentadas, a transformação de modelos de negócios e o aumento de acordos políticos multilaterais de cooperação.

Por fim, dá algumas dicas a empresários para que, atentos aos sinais desta crise, possam atenuar os efeitos negativos em seus negócios. Concentrar-se nos sinais dos consumidores, preparar-se para as piores trajetórias de recuperação e pensar em como o negócio se comportará no mundo pós-crise são algumas delas.

O profissional que a indústria precisa

Para Giovana Chimentão Punhagui, gerente executiva de Educação do Sistema Fiep, antes da crise a indústria já exigia um profissional multidisciplinar. A recessão veio para reafirmar essa característica.

“Estamos em um momento exponencial de tecnologia e de hiperconectividade e isso reflete totalmente no mercado de trabalho. Há uma necessidade de um profissional que supra, justamente, esse desafio de produtividade e de resultados. Claro que aliado às soluções da própria indústria”, disse Giovana.

E é aí que, segundo a especialista, enfrentamos um grande desafio. “Cinco em cada 10 indústrias, hoje, no Brasil, têm dificuldades de encontrar mão de obra qualificada”. Por isso a necessidade de profissionalização direcionada, aponta a especialista.

E isso fica evidente quando olhamos o número de profissionais com formação em Curitiba: 9,3% possuem Ensino Superior.  Além disso, a grande maioria não está estudando: 86,3% não estão matriculados em uma instituição de ensino e 31,6% possuem o ensino médio completo como formação mais alta. Os dados são da Kantar Ibope Media – Target Group Index (2018 2s/2019 1s).

Giovana Chimentão Punhagui é gerente executiva de Educação do Sistema Fiep. Foto: divulgação.

“O mercado exige um profissional híbrido e é neste caminho que virão as oportunidades. Aliar o conhecimento e expertise que o profissional já tem, com conhecimento em tecnologia e também habilidades socioemocionais. Era tendência e agora é mais do que isso, é uma necessidade. E é aí que o Senai consegue aderir e suprir: formando profissionais que atendam uma demanda latente”, afirma Giovana.

O Senai oferece uma gama de cursos voltados a profissionalização para indústria, inclusive, em modelos EAD (Educação à Distância), em aulas práticas com o uso de simuladores. 

“Estamos participando desse movimento do ´novo normal` pra que a gente continue atendendo às necessidades de qualificação das empresas e também da comunidade, para que estejam preparados”, finaliza a executiva.

Indústria 4.0

E esse profissional já é realidade em algumas empresas paranaenses. É o caso da KMM – Soluções Logísticas, de Ponta Grossa. Há dois meses trabalhando no modelo home office a empresa precisou se adaptar rápido e o resultados tem vindo graças a um time de colaboradores híbridos.

Elina Torres é Expert Designer na KMM e Community Leader da Campos Valley (Comunidade de Startups dos Campos Gerais). Foto: divulgação.

“Como nosso core na KMM é o desenvolvimento e soluções para logística, conseguimos resolver os trâmite online. Tivemos que nos adaptar rapidamente”, disse Elina Torres, expert designer na empresa. A profissional é técnica em informática, trabalhou como  desenvolvedora e hoje atua no design, tecnologia e o empreendedorismo.

“Com certeza estamos vivendo uma transformação radical no jeito como trabalhamos. Tecnologias como Internet das Coisas (IoT), Big Data, inteligência artificial, segurança e computação em nuvem, vem para afirmar isso”, explicou Elina ao citar o caminho para a Indústria 4.0.

“Podemos dizer que a Indústria 4.0 é a realidade na qual a tecnologia industrial está cada vez mais eficiente, também mais inteligente, mais rápida e mais precisa”, finaliza a profissional na KMM.

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Entrevista com Melissa Vogel, CEO da Kantar Ibope, sobre tendências e consumo de mídia em meio à Covid-19

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