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Economia e Setores

Varejo além do lucro e igualdade de gênero pautam o dia 2 da NRF

Presidente e CEO da Starbucks, Kevin Johnson, abriu o segundo dia de programação. Para ele, o setor de varejo, que tanto cresce com a tecnologia, não deve negligenciar a emoção

A maior feira de varejo do mundo, a NRF Retail’s Big Show, segue em Nova York, Estados Unidos, até esta terça-feira (14). A RPC está na cobertura do evento e traz as tendências para esse mercado e highlights da programação.

Camila Leite, coordenadora de estratégias de mercado da RPC, está no local. Confira.

>> Varejo inteligente e novo olhar sob a concorrência são destaque no primeiro dia de NRF

Conexões compartilhadas

Nesta segunda-feira (13) o primeiro convidado a subir ao palco da NRF foi  o CEO e presidente da Starbucks, Kevin Johnson. O painel, bastante esperado pelo público, tratou do varejo além do lucro.

O executivo destacou a tecnologia como recurso primordial para o desenvolvimento do mercado, no entanto, valorizou também o papel das experiências e emoções compartilhadas no ambiente do varejo moderno. O objetivo de Johnson era falar das vendas além do lucro: “a busca pelo lucro não está em conflito com a busca pelo bem”.

“Eu acho que um dos temas comuns daqui para frente é encontrar maneiras de criar conexão humana. Interação humana. O mundo precisa disso”, falou o CEO.

A Starbucks tem mais de 31 mil lojas espalhadas pelo mundo e soma 400 mil parceiros, que atendem mais de 100 milhões de clientes por semana.

Kevin Johnson, CEO da Starbucks, abriu o segundo dia de programação da NRF. Foto: Divulgação/NRF.

Varejo com propósito

A NRF levantou também a bandeira em prol da igualdade de gênero.

O painel “Vozes Visionárias de Ambição, Objetivo e Inclusão” convidou grandes executivas para debater o tema. Entre elas, estavam presentes a diretora de propósito da PWC, Shannon Schuyler; a diretora de diversidade da Macy’s Inc, Shawn Outler; a presidente e CEO da Cartier North America, Mercedes Abramo; e a diretora de pessoas da Rent the Runway, Tammy Sheffer.

Elas compartilharam as táticas e sugestões que são tangíveis e aplicáveis dentro das empresas em busca da igualdade.

Um ponto em comum do discurso é que a “batalha” precisa ser compartilhada entre homens e mulheres e que a presença masculina no debate, e nas ações dentro das companhias, é primordial nesta mudança de paradigma.

As executivas salientaram também que o tópico deixou de ser tendência há tempos e “deve ser colocado em pauta”.

Grandes CEO’s ocuparam o palco da NRF para falar sobre diversidade. Foto: Camila Leite/RPC.

Persistência

Outro destaque na programação da NRF foi a fala da CEO da GDR Creative Intelligence, Kate Ancketill. A GDR é uma consultoria americana em tendências de varejo e inteligência em design.

No painel, a CEO destacou a importância da persistência para resultados brilhantes. Para isso, utilizou o case de três marcas icônicas: Selfridges, cadeia de lojas de departamento no Reino Unido e que na década de 1990 chegou a ser a segunda maior loja do país; Nike e a Alibaba, plataforma chinesa de negócios B2B. 

Kate Ancketil, CEO da GDR Creative Intelligence, destacou três lições do varejo por meio de cases das marcas Selfridges, Nike e Alibaba. Foto: Camila Leite/RPC.

Lição 1

Para Kate, elas trazem três lições importantes. A primeira delas exemplifica com a história da Selfridges, que mostra que “shopping is about more than buying”, que em tradução livre quer dizer que “há mais coisas por trás de uma compra”.

A cadeia de lojas de departamento no Reino Unido existe há mais de um século e continua se reinventando, com um histórico de investimentos e crescimento de vendas. 

O entretenimento, que sempre fez parte da história da marca, hoje é a base da experiência que o cliente tem quando conhece uma unidade, que se tornaram pólos culturais – com cinema, clube de comédia e outros serviços, o cliente pode encontrar, por exemplo, uma pista gigante de skate na loja de roupas e que oferece aulas gratuitas da prática, atraindo o público jovem. “O ato de compra mudou, mudando também o propósito da loja física”, explica a Kate.

Lição 2 

A lição número 2 vem da Nike: “a experiência do consumidor é a marca”.

Kate explicou sobre a forma como a empresa americana conversa com todos os seus clientes, atuais e futuros, colocando no mercado uma ofensiva gama de opções e oportunidades.

Para isso, a Nike acoplou o modelo de negócios da Amazon. O consumidor encontra a Nike em lojas parceiras – estratégicas para a companhia – e em lojas próprias (on e offline).

Além disso, com os dados dos consumidores, a marca oferece um serviço por assinatura. Também consegue prever o tipo de ponto de venda que um bairro/localidade/cidade deve ter de acordo com os hábitos da população daquela região – por exemplo, se é uma população mais ligada em yoga e exercícios físicos, sua loja física será ambientada com essas temáticas. 

“Dados são o novo petróleo, então por que você não vai querer ser o dono do posto?”, explica Kate. 

Lição 3

“A tecnologia é a expressão da imaginação”, é o que ensina a Alibaba. A CEO da GDR Creative Intelligence lista alguns serviços da companhia para justificar a afirmativa, inclusive, parte deles incentivando um “consumo verde”.

Entre eles estão o Alipay, serviço de pagamentos online, onde é possível alugar uma bicicleta com poucos cliques; e o 11.11, um festival de inovação e novo consumo criado em 2019 pela Alibaba que busca apresentar iniciativas e companhias chinesas para o mercado e para os consumidores, tudo com tecnologia de ponta.

Inteligência artificial e experiência 

Patrick Gauthier, vice-presidente da Amazon Pay, destacou na NRF as maneiras pelas quais a voz está redefinindo a experiência do cliente e como é possível utilizá-la para estabelecer um relacionamento pessoal com os consumidores. “A voz traz humanidade”, disse Gauthier. 

Segundo o executivo da Amazon Pay,  é preciso escutar o consumidor para dar a ele as respostas que procura. Uma “relação” precisa acontecer.

“Sem confiança, não tem relação. Sem relação, somos apenas commodity, e o consumidor nos trocará por qualquer produto ou serviço mais barato”, destacou Gauthie.

Ele também falou sobre as inovações que estão facilitando aos varejistas a conexão com seus clientes. O painel de Gauthie contou também com a presença de Matthew Bakal, co-fundador e presidente da Atom Tickets. O app usa a voz para tornar a experiência de compra de ingressos de cinema mais uniforme. 

Brasileiros na NRF

O Grupo GS& Gouvêa de Souza é uma das companhias brasileiras que está na edição 2020 da NRF. A empresa, com mais de 30 anos de experiência no varejo, atua como uma plataforma estratégica de unidades de negócios, produtos e serviços.

Eduardo Yamashita, COO do Grupo GS& Gouvêa de Souza, falou sobre o que tem visto em Nova York. Para Yamashita, o que é conhecido sobre o varejo hoje, está em transformação.

“Está ficando cada vez mais evidente que o varejo está em um estágio beta, o que significa dizer que está em profunda e constante evolução. Em dez anos, teremos três tipos de varejo, apenas: aqueles que já nasceram com novo modelo mental e novo modelo de negócio – a exemplo da Amazon; o segundo tipo é o varejista que conseguiu adaptar o seu modelo de negócio a nova era que estamos vivendo – como o Walmart; e o terceiro tipo é o que vai deixar de existir, quem não consegue se reinventar”, explicou Yamashita.

Comitiva brasileira é a segunda maior 

“A comitiva brasileira é a segunda maior presente na NRF 2020, perdendo apenas para a americana”, contou Camila Leite! Entre as companhias que também estão em Nova York estão: Grupo SOMA, Grandene, Ópus, Lojas Americanas, Grupo Votorantim, Bayer, a paranaense Agência 433, Condor, Muffato, Safra Pay Brasil, Livelo, Grupo Boticário, entre outras centenas.

NRF Retail’s Big Show

NRF Retail’s Big Show está em sua 111ª edição e, neste ano, reúne mais de 38 mil visitantes de mais de 100 países diferentes. Além disso, estão em Nova York discutindo o futuro do varejo mais de 16 mil varejistas representando 3.500 companhias.

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