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Comportamento

3 mudanças de comportamento de consumo aceleradas pelo Covid-19

Entrevistamos Laura Kroeff, VP de Digital e Inovação da Box 1824, sobre comportamentos já incorporados

O que já podemos observar de mudança no comportamento do consumidor até o momento?

laura kroeff box 1824 RPCEm consequência do surgimento do Coronavírus, a digitalização do consumo, o consumo mais consciente e a preocupação social são alguns dos novos hábitos já incorporados. E implementar mudanças na rota das empresas é desafiador – envolve pessoas, processos, investimentos, tempo.

Alguns sinais de mudança já se apresentam e ouvir especialistas ajuda a gente a pensar em como precisamos estar preparados.  Entrevistamos a especialista Laura Kroeff, VP de Digital e Inovação da Box 1824, agência de pesquisa de tendências em consumo, comportamento e inovação, para entender quais movimentos já podemos observar.

 

1. Quais são as acelerações de comportamento que o COVID trouxe?

Foram muitas mudanças em muitas frentes, mas falando de consumo, que é nosso foco, trazemos 3 principais:

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2. Laura, você disse, embasada em dados, que quando a empresa é mais empática se sai melhor da crise. Pode comentar e trazer o dado/fonte? E por que impacta fidelidade do cliente?

A fonte é um podcast da Harvard Business Review onde 3 especialistas discutem o assunto. Dois deles escreveram um artigo sobre isso em 2018:
> podcast: https://hbr.org/podcast/2018/07/turning-purpose-into-performance.html
> artigo: https://hbr.org/2018/07/creating-a-purpose-driven-organization.html

Isso impacta a fidelidade porque o cliente se conecta a elementos mais fortes e menos voláteis do que preço, distribuição, custo-benefício e outros elementos tradicionais do marketing. E, ao invés disso, se guia por uma identificação com o propósito da marca, um fator que não é afetado em uma crise.

3. O que se espera das empresas agora? O que fizeram de especial: Stone Fintech, Magazine Luiza?

Há dois fatores principais que são avaliados nesse contexto: o primeiro é a responsabilidade com sua rede (funcionários, fornecedores, clientes,etc). Foi isso que Magazine Luiza fez ao criar novas oportunidades de negócio a pequenos varejistas usando sua plataforma. Outro fator é o quanto a marca aplica o que faz de mais e melhor (seu “core”) na hora de ajudar. Uma instituição financeira deve ajudar a questão financeira, uma empresa alimentícia deve oferecer alimentos, uma empresa de tecnologia deve criar novas soluções tecnológicas. Foi isso que a Stone, uma empresa que vive do comércio, fez ao destinar dinheiro a uma campanha de estimulo à compra no comércio local.

>>>> Leia também:  Empresas têm a oportunidade de mostrar que se importam com o coletivo


4. O que é colocar o propósito à prova literalmente? Tem exemplo de alguma marca que fez isso?

Colocar o propósito à prova é ir além de discursos e campanhas emocionais, e realmente entregar algo para a sociedade com base no seu propósito, preferencialmente envolvendo modelo de negócios, cadeia de produção, desenvolvimento de produtos e outros aspectos estruturais da empresa, não só o marketing.

Um exemplo é a Ikea, fabricante de móveis, que dentro de seu propósito de um mundo mais sustentável, está reduzindo a venda de móveis novos e criou uma plataforma de venda de móveis usados, mesmo que isso signifique margens reduzidas de lucro e redução na produção de móveis.

5. O que mudou na TOMADA DE DECISÃO com o CoronaVírus?

Segundo o Instituto Locomotiva, 51% dos brasileiros já tiveram perda de renda no Brasil. A tendência é que quanto mais tempo passe mais gente seja impactada. De maneira geral, o consumo deve cair e vamos conhecer um consumidor muito mais crítico. Por isso, as decisões serão tomadas de forma muito mais consciente e precisa. As compras por impulso, por exemplo, deixam cada vez mais de existir e uma visão de longo prazo emerge nas ações do brasileiro.

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6. O que é aceleração da ECONOMIA OU CULTURA REGENERATIVA? O que empresas podem fazer de concreto?

O cerne da Economia Regenerativa está em trazer melhorias às pessoas e ao planeta antes de mais nada. Esse movimento que já vinha ganhando força, agora é potencializado enormemente por consumidores que se tornaram mais conscientes e dispostos a depositar sua confiança nas empresas que empregarão esforços para construir uma realidade melhor para todos.
Um ponto importante, é que esta responsabilidade social e ambiental deve acontecer de dentro para fora da empresa: de nada adianta ações externas que ajudem a sociedade e o meio ambiente, se a empresa não pratica tais conceitos em sua cultura interna. Além disso, as ações externas devem ser 100% conectadas com o core business da empresa.

 

7. O que é o conceito PEOPLE AND PLANET POSITIVE? É só para grandes empresas como HNM, IKEA, PATAGÔNIA, NATURA?

People and planet positive é justamente o cerne da Economia Regenerativa. Para entendermos melhor este conceito, é preciso analisar a lógica dominante de atuação das empresas: a compensação. Ou seja, todos males causados às pessoas e ao planeta, devem ser compensados através de ações ambientais e sociais, assim zerando a equação do prejuízo causado.

Este modelo não é mais suficiente: as empresas que quiserem se manter vivas e relevantes neste novo contexto, devem criar um resultado positivo para as pessoas e o planeta. Não é só para grandes empresas, inclusive, vemos as grandes empresas se adaptando ao core regenerador porque se sentem ameaçadas pelas pequenas.


Soa clichê, mas é muito verdadeiro. Buscar entender as mudanças em curso para direcionar nossas próximas ações parece ser o primeiro passo agora, em que a única certeza que temos é que precisamos nos adaptar e encontrar soluções rápidas. Acreditamos que compartilhar aqui experiências, estudos e pesquisas sobre comportamento, consumo, opinião de especialistas, exemplos de marcas é uma forma de contribuir para inspirar a transformação que precisamos. Conte com a gente, estamos juntos.

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