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Comportamento

RPC destaca as discussões do Global Retail Show 2020, acompanhe!

Adaptabilidade crescente no varejo, transformação no consumo e 6 mindsets dos consumidores brasileiros foram alguns dos assuntos


A primeira edição do Global Retail Show, começou no dia 13 de setembro e vai até o dia 19 de Setembro, trazendo tendências para reinvenção dos negócios, diante deste cenário póspandemia.  

São diversas palestras, painéis, debates, divididos em mais de 19 trilhas de conhecimento com curadoria de 14 países, trazendo temas como tecnologia, finanças, big data, digital, marketing, franchising, e-commerce, logística, pessoas, entre outros. O evento está acontecendo 100% online e traz tradução instantânea para 3 idiomas (português, inglês e espanhol). Os mais variados líderes, corporações e associações se juntam para compartilhar pesquisas, experiências e dados ao público inscrito. E, a RPC parceira do evento, traz um pouco do conteúdo para seus leitores aqui do “De Olho no Mercado” pela percepção dos analistas de marketing Flavio DamacenaAlexssandra Quadros.

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Neil Z. Stern, Michael Tamte (EEve) e Forrest Hoffmaster (NSeasons

 

Adaptabilidade crescente no varejo 

No painel sobre as “Macro tendências para o futuro do varejo” o host Neil Z. Sternum grande nome para o setor, especialista em planejamento estratégico e desenvolvimento de novos conceitos de varejo, também autor de dois livros: “Winning at Retail” (com tradução no Brasil para “Diferenciação no Varejo)  e “Greentailing e Other Revolutions in Retail” (sem tradução ainda para o Brasil) contextualizou tendências no setor antes dos outros dois participantes Michael Tamte da EverEve  e Forrest Hoffmaster da New Seasons. Que trouxeram exemplos que estão acontecendo atualmente nos setores que atuam. 

Neil mostrou que nos Estados Unidos o varejo estava crescendo e estável nos últimos anos até a chegada do Covid. Mas percebe as transformações futuras de maneira muito positiva. As tendências no setor mais fortes durante esse momento mais delicado, ele chama de “elementos extremos de valor”. 

– e-commerce nos Estados Unidos cresceu em abril o mesmo valor referente aos últimos 10 anos. De agora em diante, para continuar com este crescimento é preciso pensar em novas formas para facilitar o caminho até os consumidores e retirar as dificuldades encontradas para chegar até eles. Este processo se intensificará em diversos setores. É o que ele chama de “conveniência extrema.  

 – O varejo irá construir uma experiência mais íntima e personalizada para substituir as vivências presenciais em massa. É o ponto da “experiência extrema”, uma nova vivência não necessariamente presencial, mas pensada de outra forma.   

– Encontrar algo a mais do que você está procurando, e ser surpreendido, é outro ponto primordial neste momento. Ele citou o exemplo da Costco, um clube de vendas em que o ambiente é centrado na descoberta e na novidade. Aqui se encaixa o termo “valor extremo” a caça ao tesouro!  

  

EverEve: maneiras de chegar nas consumidoras 

E para mostrar essas tendências acontecendo Michael Tamte, o co-Founder & Co-Ceo da EverEve relatou um pouco de como foi sua história e como as lojas estão se adaptando hoje. A EverEve surgiu após Megan (sua esposa e sócia na empreitada) sair para comprar roupas, com sua recém-nascida. A experiência foi horrível e ela achou que poderia ter mais lojas que compreendessem verdadeiramente o que qualquer mãe gostaria.

Hoje, com 92 lojas, além de diversas marcas, oferece as suas próprias roupas, de maneira mais assertiva, conforme as necessidades percebidas de seu público. Desde 2015, já oferecia a Trendsend ” uma caixa personalizada enviada às clientes, baseada em seu perfil de compra. A caixa pode ser enviada com intervalos regularesou sob demanda.  Após 5 dias, a consumidora escolhe com o que quer ficar ou devolver, com frete grátis. Esta ideia deu uma noção melhor para a empresa de que a união de canais de contato com o consumidor, ajudam aumentar o ticket médio. 

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Consumo em lojas online e físicas tendem a indicar maioir ticket médio ao longo do ano

 

Esse modelo auxiliou também a transformar durante o isolamento uma nova maneira de compra: o dressing room to go”. A consumidora relata um pouco sobre o senso de estilo, tipo de corpo, e os estilistas colocam 15 itens entre sapatos e looks completos. A consumidora retira na loja e tem até 48 horas para decidir com o que fica, ou devolve na loja. Assim como na caixa, ela paga apenas com o que fica. Esta adaptabilidade gerou nas primeiras semanas 2 milhões de dólares.  

 Outros esforços como cupons de desconto e a possibilidade de compra online com retirada na loja também foram ofertadas e hoje já significam 10% do total de compra onlineEssas novas iniciativas estão auxiliando a empresa progredir em seus resultados. 

  

New Seasons e a proximidade como ativo  

Ceo da New SeasonsForrest Hoffmaster, relatou como tem sido a jornada da empresa nesse período. A New Seasons é uma rede de supermercados que opera com 70% de produtos in natura. Funciona como uma mercearia, com ampla gama de produtos ofertados, mas tem o toque de um mercado de bairro.  

O foco da marca é trabalhar nas comunidades onde as lojas atuam. A marca  usa muito o storytelling na oferta de seus produtos que, geralmente, são de fornecedores da região. Ou seja, muitos de seus produtos de marcas próprias, que em hipermercados são vistos como artigo de qualidade inferior, na New Seasons acontece justamente o contrário. Os artigos contam histórias em suas prateleiras e possuem um forte apelo emocional. Parte dos resultados dessas vendas, são revertidos em investimentos na própria comunidade. A empresa oferece coaching, financiamento, e outros diversos cursos para os produtores e parceiros.  

Essas ações fazem com que a empresa tenha um excelente número na fidelização de clientes. Maior inclusive se comparada a outras marcas concorrentes.  

Com o fechamento de alguns restaurantes essas ações facilitaram novas medidas serem implantadas. Como a oferta do “The Greater Good Box” uma caixa embalada com os alimentos sazonais, locais com produtos dos cultivadores afetados pelo momento mais crítico da pandemia. Hoje descontinuada, a medida ajudou aqueles que tiveram sua renda afetada com as entregas de produtos frescos.  

 Outro fator potencializado para o segmento que teve um aumento na procura de alimentos em suas gondolas, foi valorizar ainda mais suas equipes, que trabalhavam incansavelmente nesse período. A empresa proporciona bônus quinzenais em reconhecimentos as equipes, além de enaltecer ainda mais os funcionários que, em grande parte, estão há bastante tempo em suas lojas. 

  

Transformação do Consumo do Brasileiro 

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A pesquisa “Tomorrow’s Consumer – Consumidor do Amanhã Tendências de Comportamento, Compra e Consumo para o Futuro” realizada pela Mosaiclab  https://www.mosaiclab.com.br/) em parceria com a Toluna (https://br.toluna.com/) foi apresentada no painel sobre o comportamento do consumidor no primeiro dia (domingo dia 13) do Global Retail Show.  

Realizada em agosto com mais de 5 mil entrevistas em 17 países, os dados do Brasil revelam um povo que acredita que o futuro será melhor mesmo com todas as adversidades. Além dissotambém mostra o quanto somos resilientes: 97% dos brasileiros afirmam que levarão algum aprendizado da pandemia para os próximos 5 a 10 anos.   

Apesar de muitas preocupações apontadas como desigualdade social (60%), corrupção (53%), novas ondas fortes de epidemias ou pandemias (51%), crises financeiras econômicas no país (48%), baixa oportunidade de emprego e renda (48%) e problemas nos serviços de saúde (46%)  o brasileiro quer valorizar mais a família, o trabalho, o lazer, e ter mais contato com a natureza! As marcas devem estar atentas e criar conexões emocionais a esses medos e aprendizados futuros.  

Sobre as movimentações financeiras, a utilização cada vez mais frequente dos brasileiros com celulares, aliada à redução da taxa de juros, e à facilitação do pagamento instantâneo, modificarão a relação com o sistema financeiro no país. O pagamento digital estará cada vez mais presente, e é um dos meios que mais utilizaremos nos próximos anos.  

 

mindsets do consumidor 

A pesquisa também mapeou mindsets do consumidor no Brasil, baseado nas suas percepções do futuro. 

  • Flexconsumidor (30%): Flexíveis e adaptáveis às mudanças, um grupo com mais idade acredita que ainda há muito preconceito com a terceira idade e que as marcas devem investir mais neste público potencial. Acreditam que o futuro terá cada vez mais tecnologia. 
  • Microevolutivo (18%): Receosos e preocupados com o futuro, experimentam de forma gradativa, são controlados e se planejam com antecedência como vão gastar. Vivem em centros urbanos, mas querem se reconectar com a natureza. 
  • Consumidorcontrole (17%): Controladores, urbanos e com poder de compra de médio/alto. Seu processo de compra é racional, buscam informações sobre o que consome e possuem interesse em economia compartilhada.  
  • Biotransformador (15%): Criativos, modernos e preocupados com problemas sociais e ambientais, são urbanos e com alto poder de compra. Acreditam na economia sustentável e valorizam marcas que apoiam comunidades locais.  
  • Conzumista (12%): A palavra com “Z” para exaltar uma característica dessa geração também possuem pessoas da geração X e Y. São modernos, consumistas e se veem como rebeldes. Possuem dificuldade de administrar o tempo e médio poder de compra. 
  • Tecrevolucionário (8%): Possuem um consumo consciente e estão sempre abertos para novos tipos de compra para facilitar sua vida. O futuro para eles é com muita integração tecnológica.    


Comportamentos nos negócios

Para fechar este primeiro resumo com os principais destaques do primeiro dia, CEOS de diversos setores, relataram como esses novos comportamentos estão refletindo em seus negócios: 

  •  Elizangela KiokoExecutive Director Consumer Health Division da Aché Laboratórios relatou que muitas empresas estão saindo de grandes centros e indo para regiões mais tranquilas e que a digitalização, mesmo na área da saúde, se viu necessária. As visitas aos médicos tiveram que ser remotas mesmo muitos consultórios tendo sido fechados. 
  •  Juliana Azevedo, CEO d Procter & Gamble, o setor de cuidados pessoais e higiene cresceu ainda mais depois da pandemia.  O brasileiro que já escovava os dentes 2x mais do que o restante do mundo e já tinha como habito tomar mais banhos. Também, a utilização de produtos como desodorante, por exemplo, potencializou costumes que já eram característicos nossos. Trabalhar de casa e ter outras ocupações dentro do lar também fez com que o desfralde das crianças fosse adiado nesse período. O consumo desses produtos está maior. Juliana também ressaltou que a marcas estão se comunicando com os clientes muito além sobre apenas seus produtos, mas falando sobre propósitos e experiências.  
  •  Ricardo Bomeny,  CEO da BFFC holding que controla o Bob’s e a Yoggi, além de possuir a Master Franquia da marca Doggis para o Brasil, trouxe sua experiência com os mais de 350 franqueados em todos os estados brasileiros. O delivery que já estava crescendo no país, na pandemia cresceu 100%, apesar de ter ocorrido queda no faturamento entre março e abril. Neste período, também aumentou o drive thru e se seguirmos pelo que acontece nos Estados Unidos, onde 60% do faturamento das grandes redes são adeptas deste modelo, ainda temos muito espaço para crescer. Ricardo ainda citou que os consumidores estão utilizando o drive in e QR Code muito mais que antes e estão implantando um modelo de locker para retirar pedidos em locais específicos.  
  •  Roberto Mussnich,  CEO do Atacadão trouxe a experiência do grupo em entender localmente as necessidades de cada região onde atua. O Atacadão usa o conceito de “virar minhoca” que significa entender a terra local, buscar fornecedores e industrias locais para viver a regionalização de perto. Para Robertoa pandemia também destacou a importância de uma liderança real e que toma decisões importantes e difíceis nesse momento. O setor de Cash & Carry (expressão de origem inglesa que o CEO prefere diante de atacarejo) foi um dos que melhores erformaram nos últimos meses. Em 2020, preveem fechar o ano com 5 bilhões em faturamento.

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