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Marketing e Comunicação

Dia do jornalista: a importância da imprensa como ferramenta contra fake news

Pandemia da Covid-19 ajudou a conscientizar população da importância de buscar informação de qualidade

Em tempos de excesso de informação, a imprensa passa a ter um papel ainda mais importante para a democracia. A disseminação de fake news, principalmente por redes sociais e aplicativos de mensagens, é um dos principais desafios para o jornalismo no mundo todo. A pandemia do coronavírus escancarou o problema e acelerou a discussão dessas questões.

Para Věra Jourová, que é vice-presidente da Comissão Europeia de Valores e Transparência, “a verdade é baseada em fatos, é objetiva, tem evidência. O que não for isso, é opinião”. Ela falou sobre o assunto e discutiu as implicações das fake news para a democracia durante o SXSW, maior evento de tendências do mundo, que aconteceu em março, de forma online

Věra ressalta também que o último ano nos mostrou que a mentira e desinformação podem ser extremamente prejudiciais para a população. “O cenário da Covid-19 nos deu uma lição brutal. Se não estivermos proativamente defendendo os fatos e a verdade, iremos perder essa batalha.”

Luciana Marangoni, que é diretora de jornalismo da RPC, observa que o jornalismo profissional nunca foi tão atacado. E que, ao mesmo tempo, nunca foi tão necessário para a sociedade.

 

“Desde o ano passado podemos dizer que travamos duas batalhas mortais. Uma contra o vírus e outra contra a desinformação. Não é fácil, é um trabalho extenuante. Infelizmente, muitas mentiras e ‘versões’ se espalham pelas redes sociais e acabam ‘virando’ verdades. Cabe aos jornalistas sérios apurar incansavelmente os fatos, checar tudo, analisar números e estatísticas e mostrar, de forma corajosa, a realidade que muitas vezes é bem dura e incomoda. Os meios de comunicação fazem um trabalho essencial e podem ajudar a salvar vidas levando informações relevantes e básicas à população como, por exemplo, a importância de lavar as mãos e de usar máscaras na luta contra a pandemia do coronavírus.”

 

Liberdade de imprensa

Luciana conta que, há alguns dias, o Jornal Nacional trouxe uma reportagem alarmante. Mostrou que o número de ataques à liberdade de imprensa em nosso país aumentou 167% em 2020. O relatório é da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, ABERT, e mostra que o Brasil caiu duas posições no ranking mundial de liberdade de imprensa, feito pela organização internacional Repórteres Sem Fronteiras.

“É a pior classificação em quase 20 anos de acompanhamento. As luzes de alerta estão acionadas. Mas seguimos firmes, estamos nas ruas, onde está a notícia, dando voz à população e fiscalizando o poder público. Somos obstinados. É o nosso dever e nosso DNA.”

Checagem de notícias

Vera ressalta que hoje existe uma “indústria de fake news” em atuação. E que são três os atores a serem combatidos. Os que produzem, os que distribuem e os que acreditam nessas notícias falsas. Para os dois primeiros, a instituição europeia tem trabalhado na criação de regras para regular esse novo mundo digital, responsabilizando todos os atores envolvidos. Nisso, incluem-se as chamadas “big techs”, grandes empresas de tecnologia e redes sociais. 

Já para preparar a sociedade para identificar a manipulação e as notícias falsas, a solução é investir em educação, no desenvolvimento do pensamento crítico e no que Věra chamou de “treinamento em mídia”. Isso seria munir as pessoas de conhecimento para que elas possam identificar quando um veículo de comunicação é sério. 

“Precisamos ensinar as pessoas a não acreditarem em tudo que leem. Elas têm que ser livres para ter sua opinião, mas precisam saber identificar as tentativas de manipulação. Isso inclui pesquisar e checar as notícias antes de repassarem a seus conhecidos.”

 

“Precisamos aumentar e investir em fact-checking para que as pessoas recebam essa informação já checada, baseada em evidência. A verdade é que se não ocuparmos os espaços com informação baseada em evidência, a desinformação irá se encarregar de ocupar esse espaço”, diz Věra.

Nos últimos anos, em decorrência do aumento da quantidade de notícias falsas, começaram a surgir agências especializadas na checagem de fatos. Ao mesmo tempo, as redações passaram a investir em treinamentos.

Credibilidade

Na RPC, Luciana conta que a checagem das notícias faz parte da rotina e reforça que nada vai ao ar com dúvida. “Televisão é equipe. Repórteres, produtores, editores – todos têm o dever de confirmar informações e fatos antes de levar uma notícia ao ar. Queremos dar um fato importante antes de todo mundo, claro, mas sem aventuras. Sabemos da nossa imensa responsabilidade.  Vivemos da nossa credibilidade. Quando erramos, apesar de todos os cuidados, fazemos imediatamente a correção.”

Segundo o relatório Reuters Digital News Report 2020, publicado no site da Globo, o Brasil é o país que mais se preocupa com o que é verdadeiro e o que é falso na internet. 84% dos entrevistados afirmaram ter esse cuidado. Além disso, 35% dos entrevistados também disseram terem maior preocupação com notícias que chegam via WhatsApp, apontada como principal plataforma de disseminação de fake news.

Checagem de notícias faz parte do dia a dia de trabalho dos meios de comunicação. Foto: Canva

 

Jornalismo fortalecido

Por outro lado, pesquisas mostram que a população está cada vez mais atenta. Um levantamento feito pelo Ibope Inteligência e publicado no site da Globo, analisou a confiança dos brasileiros nos meios de comunicação durante a pandemia. A TV foi apontada como o meio mais seguro de informação, com 88%. Sites e portais foram indicados por 86% dos entrevistados. Rádio, por 83%. Já redes sociais e WhatsApp são os meios menos seguros para se informar, segundo os respondentes, com 42% e 27%, respectivamente.

 

 

João Salgado, apresentador do Bom Dia Paraná. Foto: Divulgação

 

Mais de três milhões e quinhentas mil pessoas acompanharam os telejornais locais em 2020, na RPC Curitiba. Os jovens, de 12 a 24 anos, registraram crescimento de 20% em audiência na comparação ao ano anterior.

“O jornalismo profissional que carrega credibilidade é fundamental no momento em que vivemos. Ganhou espaço na grade de programação e é fonte de informação confiável para o público que precisa, como nunca, compreender melhor o que ocorre no seu entorno, no país e no mundo.  A TV aberta é democrática. Cativa todas as faixas etárias e todas as classes sociais. TV é imagem, informa e entretém, de graça. Está o tempo todo se reinventando, está mais viva do que nunca”, diz Luciana.

FONTE: Kantar Ibope Media – Instar Analytics – Curitiba – 2019 e 2020 – BOM DIA PARANA, BOM DIA SABADO, MEIO DIA PARANA, BOA NOITE PARANA SS, BOA NOITE PARANA SB – Total indivíduos (Cov%) – AS ABCDE 12-24 (Rat%). Dados extrapolados para área de cobertura de Curitiba (3.854.947).

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