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Mídia e Meios

Regionalismo na TV: pela telinha, o Paraná mostra o que tem de melhor

Tem texto novo do nosso Especial Audiência. Desta vez, Daniel Ferrari traz um olhar sobre o papel da programação local dentro da telinha. O foco em produções de qualidade tem levado os paranaenses a conhecerem melhor o estado - seja com as notícias do jornalismo ou com as paisagens exuberantes dos programas de entretenimento e viagem. Vamos juntos!

Televisão regional é quase um termo técnico. Refiro-me à diferença entre a nossa produção de conteúdo local e do conteúdo da rede, que, no nosso caso, envolve nada menos que a vitoriosa Rede Globo.

Em Uma Nova Luz na Sala, Histórias da TV Paranaense, livro do jornalista e apresentador Sandro Dalpícolo, é possível compreender a origem e trajetória da nossa emissora. Além disso, a obra ajuda a definir melhor os limites, às vezes não tão claros, entre o que é local e universal.

Em junho de 2004, foi ao ar o primeiro Globo Repórter 100% paranaense. Mata Atlântica: Riqueza e Destruição teve produção de Jorge Narozniak, reportagem de Sandro Dalpícolo, imagens de Jean Ribeiro e Adriano Cordeiro (aéreas), áudio de Luciano Chinasso e direção de Norberto Oda.  Todos profissionais aqui da RPC. Apesar de o Globo Repórter ser um programa de rede, nesse caso ele foi inteiramente produzido por uma emissora local. Isso representa o local como janela, pela qual, ao olharmos, vemos o mundo lá fora.

Naquela edição, exibida em 4 de junho de 2004, o Globo Repórter registrou 33 pontos de audiência em Curitiba, com 53% de share. (Assista aqui ao Globo Repórter, sobre a Mata Atlântica do Paraná.) De lá pra cá, vieram muitas produções da RPC para a o Globo Repórter. No dia 3 de novembro de 2017, a viagem foi para a ilha de Madagascar. Um programa muito curioso, colorido, em HD e imperdível.

Viagem, cultura e entretenimento em terras paranaenses

A preocupação da RPC com a produção de conteúdo local de qualidade vem desde a época em que Dr. Francisco Cunha Pereira Filho adquiriu o então novo Canal 12 – que antes pertencia ao pioneiro Nagibe Chede. Pereira Filho contratou uma pesquisa de opinião para descobrir os pontos fracos da programação e corrigi-los o mais depressa possível, como conta Sandro Dalpícolo, na página 108 de seu livro.

Atualmente a RPC produz e exibe 19 horas por semana de conteúdo local. No total, são nove programas que, sozinhos, têm uma cobertura de 85% dos domicílios de Curitiba e região metropolitana.

Pelas lentes da RPC, o telespectador descobre o Paraná. Superagui, Rio Paraná, Jataizinho, Itaiacoca e Parques das Aves são alguns dos lugares explorados pelas nossas equipes e mostrados no Plug e no Meu Paraná. Os programas locais também contam histórias, como a da empreendedora-mirim, a dos médicos do sorriso, a da barriga de aluguel e aquela das mãos que aquecem — temas do Painel RPC. Todas elas trazem bons exemplos que estão aqui, na sociedade, incansáveis e anônimos, mas que atuam para transformar a realidade e tornar melhor a vida do paranaense.

Temos também um programa de auditório, o Estúdio C, atração das tardes de sábado. Com plateia, games e reportagens externas, é o único programa local que permite que as marcas se posicionem junto ao conteúdo, no que costuma ser chamado de product placement ou merchandising, como já fizeram O Boticário, o Governo do Paraná e Fermentos Fleischmann. São 248 mil telespectadores alcançados por edição do programa em 2017, segundo os dados da Kantar Ibope.

Jornalismo: informação e conteúdo ao alcance de todos

A grande janela (e espelho) do paranaense, se não a maior delas, é o jornalismo. A RPC dedica nada menos do que 3 horas e 10 minutos, de segunda a sexta, ao gênero. O regionalismo também é visto em campanhas do tipo “O Povo Fala”, pois elas criam a chance de o público se ver na tela, com o sotaque e as expressões características da nossa região.

Além disso, homenageamos as cidades, com o Sinta Curitiba, com as campanhas sobre o desligamento do sinal analógico (aliás, 31 de janeiro de 2018 está aí e, para assistir à RPC, a partir dessa data, só pelo sinal digital), com o Outubro Rosa, o Novembro Azul e a campanha contra o mosquito da dengue.

No livro A Televisão É a Nova Televisão, de Michael Wolff, a combinação de olhar global e regional é um dos pilares do triunfo do que ele chama de “a velha mídia”, em referência à televisão, na era digital. Nos dias de hoje, todos queremos filmar alguma coisa.

Pessoas comuns, com um celular na mão, gravam com qualidade 4K e todo esse conteúdo vasto abastece as redes sociais. Jornais como o The New York Times, que em 60 anos de coexistência com a televisão, não permitiam o cruzamento entre o que faziam e o que a TV  fazia (talvez imaginado que também poderiam fazer o que ela fazia) de repente tornaram-se produtores de vídeos. Todos querem ser TV.

Nunca é demais lembrar que a televisão aberta é de graça e está sempre no ar, hora janela, outra espelho.

Daniel Ferrari – Coordenador de Comunicação e Pesquisa da RPC

O Daniel já teve passagem pela TV Globo no Rio de Janeiro, na área de Análise e Controle de Qualidade da Programação; pelo marketing da TV Diário de Mogi das Cruzes e TV Tem em São José do Rio Preto, afiliadas Globo no interior de São Paulo. É jornalista e publicitário, com MBA em Comunicação com o Mercado, estuda estatística e vive fazendo cursos de pesquisa no Brasil e no exterior. Gosta do que faz!

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