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Eventos 31 ago. 2015

Entenda como a crise na China pode afetar o Brasil em 2016

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Queda da bolsa de Xangai pode ajudar o Brasil a superar a inflação, mas enfraquece a expectativa de recuperação da economia em 2016

Com a queda da Bolsa de Xangai, no último dia 24, e a perda da confiança dos investidores internacionais, a economia chinesa deve sofrer grande desaceleração no crescimento. E o Brasil, por ter o país asiático como principal parceiro comercial, sentirá os impactos logo.

A desaceleração deve diminuir o volume de exportação de mercadorias brasileiras relacionadas a bens de produção, como minério de ferro, celulose e papel, entre outros. No setor alimentício, como a soja e o frango, a expectativa é que o volume de compras continue estável, já que a China depende destes produtos para alimentar a numerosa população do país.

O que pode acontecer, segundo o economista e coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo (UP) Lucas Dezordi, é a desvalorização do preço das commodities agrícolas. “Os produtores rurais do Paraná certamente vão sentir queda na receita. Vão continuar vendendo grandes quantidades, mas a preços mais baratos. O ideal, neste momento, é buscar boas negociações com os compradores e criar estratégias de administração para reduzir o custo interno de produção. Tentar absorver esse impacto sem gerar demissões”, acredita.

Crise chinesa pode amenizar o impacto da inflação no consumo doméstico

Por outro lado, com a recessão da China, o Brasil encontra oportunidade única de superar a inflação em 2016. Com a desaceleração das transações comerciais, pode haver queda dos preços de produtos domésticos no país e o Banco Central pode ficar livre do aumento progressivo de juros que vem ocorrendo para controlar a inflação. “A redução da inflação era algo muito difícil de acontecer em 2016, mas a crise chinesa pode aliviar o mercado doméstico. Fazer compras no supermercado pode ser mais fácil, mas vai depender de como o governo vai reagir”, avalia Dezordi.

Compras de supermercado podem apresentar diferença na conta - depende da reação do governo brasileiro

Compras de supermercado podem apresentar diferença na conta – depende da reação do governo brasileiro

No entanto, o momento é delicado já que a diminuição da arrecadação monetária via exportação reduz ainda mais a expectativa de crescimento do Brasil no próximo ano. Uma das apostas de recuperação do governo era justamente o aumento da participação brasileira no mercado internacional e que, agora, não se mostra mais tão viável.

“Estávamos esperando uma recuperação mais acelerada da economia brasileira em 2016. Com a crise na China, o processo vai ficar mais lento. Ainda é cedo para afirmar, mas há possibilidade de que a transação entre os dois países diminua até 10%, dando prejuízo de até 15% na arrecadação monetária de exportação. Precisamos continuar acompanhando”, explica Dezordi.

Segundo o economista Lucas Dezordi, com a recessão da China o Brasil tem a chance de controlar o processo inflacionário em 2016

Segundo o economista Lucas Dezordi, com a recessão da China o Brasil tem a chance de controlar o processo inflacionário em 2016

 Bolsa de valores é termômetro para próximos passos

O ideal é que o governo brasileiro fique atendo às movimentações da bolsa de valores. Em épocas de recessão, o mercado internacional tende a reagir acirrando a competitividade. Como os preços e o volume de vendas caem, quem conseguir fazer bons negócios pode se recuperar melhor. “O Brasil precisa ajudar o nosso mercado a ficar mais competitivo e reduzir a tributação de preços de importação para evitar um possível aumento do desemprego, que é algo que pode acontecer”, afirma.

Na visão do economista, a desaceleração da China era inevitável, pois o modelo econômico estritamente baseado na exportação se esgotou. Desde a crise de 2008, o país asiático tem buscado alternativas para dar fôlego ao crescimento, focando em produtos e serviços e estimulando a sua população a consumir mais. Agora, com a queda brusca da bolsa de Xangai, a expectativa é que haja uma desaceleração no crescimento mundial e no Brasil.