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Eventos 17 jun. 2015

Responsabilidade social e ambiental: marcas que são agentes do bem

De um lado instituições se apegam aos seus valores, do outro, clientes exigem coerência no discurso. Todo mundo sai ganhando

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De um lado instituições se apegam aos seus valores, do outro, clientes exigem coerência no discurso. Todo mundo sai ganhando

Estamos acostumados a sempre esperar de órgãos governamentais iniciativas que tragam o bem-estar comum e repensem nossa relação com o meio ambiente. Campanhas e ações promovidas por empresas privadas, voltadas para sustentabilidade ou inclusão social, ainda deixam muita gente desconfiada e é comum ouvirmos: “Ah, mas o objetivo é sempre vender mais!”. Sim, vender mais, porém com responsabilidade em inúmeras áreas.

Afinal, pense conosco: você compraria um produto de uma empresa que se apresenta como responsável pelo meio ambiente se soubesse que o rio ao lado da fábrica é poluído com resíduos? Não. Nem nós! É por isso que atualmente tanto as marcas quanto os consumidores já evoluíram para a ideia de que em cada compra há uma série de responsabilidades envolvidas, que vão desde a qualidade da matéria-prima do produto até a embalagem.

O mais interessante é que não estamos sozinhos nessa: quem concorda é a gerente de planejamento da Agência Taste, de Curitiba, a publicitária Sophia Fernandes. “O cenário é de cobrança por uma postura ativa das marcas enquanto agentes de transformação, o que vai muito além do discurso ou da maneira como ela se apresenta ao público final. Não é eficaz, por exemplo, vendermos o aspecto sustentável de uma empresa através de comunicação e embalagem se, em seu processo de produção e na realidade diária, ela não entregar esse comprometimento”, analisa.

 

Para a planner Sophia Fernandes o cenário atual está rigoroso e as marcas devem alinhar bem o discurso dos materiais publicitários com os valores da empresa

Para a planner Sophia Fernandes o cenário atual está rigoroso e as marcas devem alinhar bem o discurso dos materiais publicitários com os valores da empresa. (imagem: arquivo pessoal)

 

Cadeia sustentável do case Natura

Quando pensamos em marcas que priorizam toda uma cadeia de sustentabilidade, pensamos na brasileiríssima Natura. A empresa tem dois pontos que reforçam seu compromisso com a sustentabilidade: o uso de ativos tipicamente brasileiros nos produtos, como o açaí; e a preocupação com a agricultura familiar na compra dessa matéria-prima. Em 2015 a Natura lançou uma linha à base de “Manteiga de Ucuuba”. Você já tinha ouvido falar dessa matéria-prima? Ela vem de uma ilha fluvial do Pará! Além da responsabilidade com os fornecedores, a Natura investe em pesquisa e descobre novas fontes de ativos para seus cosméticos, incentivando o extrativismo responsável desses materiais.

Ucuuba, a nova descoberta da Natura. Extrativismo que leva desenvolvimento sustentável para pequenas comunidades da Região Norte

Ucuuba, a nova descoberta da Natura. Extrativismo que leva desenvolvimento sustentável para pequenas comunidades da Região Norte

Atenção aos valores

É muito importante e benéfico implantar boas ações. Porém, também é  imprescindível que todas elas estejam alinhadas com os valores da marca. “A inserção desses valores sociais acaba sendo parte natural do processo de estratégia e criação. Se esses valores existem e são praticados, eles se tornam guias de toda e qualquer ação da marca. Entender a realidade e o pensamento que guia o cliente e o mercado em que está inserido é o passo mais importante para garantir essa eficácia. O essencial é manter em mente que o potencial de transformação da marca vem da entrega, e não somente do discurso criativo. Do contrário, torna-se superficial”, reforça Sophia Fernandes.

Ou seja, para ser um agente do bem e conquistar a confiança dos consumidores a marca precisa ser coerente, do contrário, o efeito pode ser bem negativo.

O exemplo acima serve como inspiração para negócios de todos os tipos e portes. Investir em responsabilidade ambiental e social faz parte do novo cenário empresarial, onde as marcas são vistas como muito mais do que fabricantes: elas representam anseios e aspirações da população. Por isso é fundamental incluir novas perguntas no seu planejamento: para quem desejo vender meus produtos? Quais são as referências destes indivíduos? O que eles esperam de uma marca, que vá além de qualidade? Encontrar estas respostas é o começo de um novo caminho para o sucesso do seu negócio.