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Comportamento

Plano B: você tem um?

Ter uma alternativa de trabalho - e de fonte de renda - tornou-se cada vez mais importante. Colocar um sonho profissional em prática exige comprometimento e planejamento, como em qualquer tipo de negócio. Inspire-se com os depoimentos de quem largou tudo para empreender: conversamos com Wagner Rover e Cláudia Giudice, que mudaram os rumos profissionais e estão sempre de olho no futuro.

Quando a vida profissional pede por mudanças, é a hora do chamado “Plano B” entrar em ação. Seja para complementar a renda ou arriscar uma nova carreira, os motivos para que profissionais procurem planos paralelos são inúmeros. Neste momento de crise, a discussão sobre a necessidade de rotas alternativas de atuação ganha ainda mais força. E você, já refletiu sobre a importância de ter um Plano B?

RPC - Plano B - Fabrício Bianchi

O consultor de negócios do SEBRAE de Londrina, Fabrício Bianchi, explica que o “Plano B” deve partir de um desejo realista. Afinal, o objetivo é ser uma rota alternativa que deve funcionar quando o Plano A estiver passando por dificuldades. Não importa a complexidade do momento – seja complementar a renda com trabalhos temporários, abrir uma micro-empresa, mudar de carreira – o ideal é que, na hora de pensar na mudança, todas as etapas de um bom planejamento estratégico sejam cumpridas.

Traçar um plano de negócio para fazer o Plano B funcionar com assertividade pode ajudar profissionais a definirem com mais precisão os novos caminhos que buscam e, principalmente, desenhar soluções emergenciais para o futuro. “É preciso sempre considerar o erro. É muito comum vermos profissionais elaborando projetos paralelos sem considerar cronograma ou mesmo avaliar a situação financeira que têm”, explica Bianchi.

Existe hora certa para colocar o Plano B em ação?

Muitos profissionais ficam em dúvida sobre o momento certo de pôr o “Plano B” em ação. Afinal, quando é a hora? Wagner Rover, proprietário e diretor do Grupo Midaz, conta que a experiência vivida por seu pai no passado o ajudou a compreender que, mesmo quando o mercado está em alta, é imprescindível manter os olhos no futuro, já que tudo pode mudar sem aviso.

RPC - Plano B - Wagner Rover

Em 2010, abri minha primeira empresa e estava tudo indo muito bem. No entanto, percebi que estava refém de um único segmento de atuação. No ponto alto, decidi junto da minha esposa reavaliar nossos projetos para o futuro. Em 2013, abrimos a Paleta Mania, nossa fábrica de picolés. Foi um insight que tivemos. Pouco tempo depois, a crise chegou ao país e é esta nova empresa que está nos ajudando a equilibrar o faturamento das outras empresas do grupo.

Wagner Rover

Rover também explica que o insight aconteceu quando se lembrou da experiência vivida pelo pai. Durante o Plano Collor, sua família perdeu o empreendimento que tinha devido à grande mudança econômica que o país sofreu. “Foi olhando para o passado que percebi que é fundamental ter um Plano B para que, quando o Plano A estiver em dificuldades, nossos negócios não sejam engolidos”, acredita o empresário.

E quando o Plano B precisa virar o Plano A?

Cláudia Giudice, ex-diretora superintendente de uma das maiores editoras do país, precisou responder a esta pergunta recentemente. Em 2014, quando foi demitida da empresa em que trabalhava há mais de 20 anos,  Giudice já havia iniciado a execução do que, a princípio, seria o seu Plano B para quando se aposentasse. “Quando fui demitida, já tinha a Pousada A Capela, na Bahia. Abri com uma sócia e começou a ser planejada em 2010. Em 2012, já funcionava há dois anos, mas era meu Plano B para 2020. Com a mudança, o planejamento para a aposentadoria foi apenas antecipado”, explica a empresária e escritora.

RPC - Plano B - Cláudia Giudice

O que é um plano B? Ele pode ser diversas coisas, não necessariamente um investimento ou abrir um negócio, mas pode ser mudar de carreira. Na verdade, em tempos de crise como estamos vivendo, um Plano B pode ser uma alternativa àquela renda tradicional que se tinha. O que eu fiz foi assumir meu Plano B como A.

Cláudia Giudice

Como executiva, seu último cargo a colocava como responsável por 20 marcas segmentadas de publicações femininas. O que a ajudou a não ser pega desprevenida foi entender antecipadamente que, apesar de ter escolhido uma área formal de trabalho, a sua capacidade produtiva poderia ser direcionada a outras áreas com que tinha afinidade.

Apesar da surpresa, o planejamento a longo prazo garantiu à jornalista mais mobilidade e fôlego no momento de crise profissional. O caminho ao Plano B já estava em andamento. “Quando eu estava com mais ou menos 30 anos, já pensava em alternativas, mas comecei lidar de maneira mais intensa com este Plano B a partir de 2008, 2009. Traçamos uma visão de negócio e várias alternativas para o caso de dar certo ou mesmo errado”, afirma Giudice.

Independentemente do momento em que a mudança chega, seja por necessidade ou desejo pelo novo, o principal é que os profissionais procurem estabelecer metas realistas e, se possível, busquem ajuda profissional para facilitar a transição, acredita o consultor de negócios Fabrício Bianchi. “Para começar, é preciso foco. É um equívoco achar que só mudanças radicais precisam de estratégia. Um plano de negócio simples pode dar clareza a quem se encontra no momento de decisão”, acredita Bianchi.

Não espere a crise chegar para traçar seu Plano B

RPC Planejar o plano B

Mesmo antes de viver o imprevisto, Giudice já acreditava na importância de planejar o futuro com antecedência. Segundo a jornalista, o Plano B deve ser elaborado assim que o profissional iniciar sua jornada no mercado de trabalho. “Numa existência produtiva, é possível ter uma, duas ou três carreiras. Ter essa ideia do plano B é muito importante. Falo com muitos jovens que já estão pensando no Plano B. São pessoas que têm outros prazeres, outros desejos, outras vontades, para além da faculdade que fizeram”, afirma Giudice.

Fabrício Bianchi também reforça a importância de planejar mudanças de rumo com antecedência: “Formular o Plano B dá mais possibilidades e tudo depende do que o profissional quer: seja complementar sua renda, melhorar seu desempenho, abrir seu próprio negócio ou mudar de rumos. Infelizmente, nada acontece de um dia para o outro. Esta é uma ilusão. Prever e planejar deve ser intrínseco a qualquer profissional”, finaliza Bianchi.

Após a sua demissão, Cláudia escreveu o livro “A vida sem crachá”, lançado recentemente. Nele, a jornalista conta sobre a sua experiência e oferece conselhos pessoais e profissionais sobre como enfrentar a transição para o Plano B com mais segurança e coragem.

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