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Economia e Setores

Afinal, de onde vêm as tendências de consumo?

Identificar oportunidades de acordo com tendências futuras de consumo pode fazer toda a diferença nos negócios. Conversamos com Andrea Greca e Olegário Araújo, especialistas em tendências, para entender o que está mudando na cabeça dos consumidores.

Quem pensa em expandir e conquistar mercado precisa ter na manga algumas cartas para investir em opções que tragam retorno. Por isso, entender quais tendências cercam os nichos de mercado é fundamental para não perder tempo ou dinheiro. Segundo Andrea Greca, proprietária da Berlin, empresa de avaliação de tendências, o ideal é ter o olhar direcionado às manifestações globais e, também, no público-alvo que se pretende atingir, mais restrito ao regional. “O ser humano é impreciso e não é fácil captar a tendência ao nosso redor. Quanto mais variáveis pudermos acompanhar, mais próximo chegaremos do fenômeno que estamos investigando”, afirma a analista.

RPC Tendencias de consumo valor agregado

As tendências (confira neste infográfico) apontam para produtos mais caros, mesmo em tempos de crise econômica. Olegário Araújo, consultor de mercado e varejo, da Inteligência de Mercado, explica que estes são itens de consumo compensatório. “Em 2013, percebeu-se com mais intensidade o discurso do ‘eu mereço’. Chamamos de as ‘autoindulgências’ do consumidor. Para poder lidar com a frustração de não poder comprar outros produtos com altíssimo valor agregado, as pessoas se permitem pequenas compras de produtos de alto valor”, afirma Araújo.

Este comportamento tem sido detectado em todas as classes sociais. O que muda, no entanto, é o tipo de desembolso. “Na classe C2 a autoindulgência se percebe quando há economia, por exemplo, no produto de limpeza para não deixar de comprar a pasta de chocolate líder de mercado para passar no pão. Nas classes mais abastadas, é a ‘gourmetização’. Em vez de pagar restaurante, essas classes decidem cozinhar em casa alimentos que dão status. Ninguém quer abandonar um comportamento de consumo conquistado no passado. O que se faz é encontrar alternativas para manter o padrão”, conta Araújo.

Olegário Araújo explica as mudanças no comportamento do consumidor
Olegário Araújo explica as mudanças no comportamento do consumidor

Com a perda do poder de compra, fica difícil manter tudo o que havia sido conquistado. Neste momento, o consumidor é colocado numa posição de desconforto em que precisa fazer escolhas. O que é mais importante consumir? No entanto, não são apenas as crises econômicas que desequilibram o funcionamento das sociedades. Existe em andamento a chamada “crise de tempo”. Araújo explica: “Não há tempo para perder em uma fila de supermercado, preparando refeições. O consumidor não quer perder tempo para as obrigações. Quer investir no lazer. Por isso, o comércio online tem vindo com força e vai se consolidar. A loja física não vai desaparecer, mas vai haver uma transformação dos serviços oferecidos”.

Oferecer conveniência e agilidade será a marca dos próximos anos. No online, as empresas precisarão facilitar a conversão da compra em entrega no menor tempo possível. E é aí que a tecnologia vai atuar com mais força: “O consumidor quer conveniência e as compras burocráticas podem migrar para o ambiente online. Já o consumo hedônico, feito por prazer, ligado ao emocional, vai continuar na loja física. O consumidor vai querer experienciar mais, encontrar um ambiente bonito, agradável, que o envolva”, explica Greca.

Como são feitas as análises de tendências

Andrea Greca, da Berlin, explica como são feitas as análises de tendências
Andrea Greca, da Berlin, explica como são feitas as análises de tendências

Normalmente, as análises de macrotendências fazem previsões para 5 ou 7 anos já que esse é o tempo médio de surgimento de uma nova geração de consumo. “Aos 18 anos, o poder aquisitivo, gostos e perfil de consumo tem certas características. Sete anos depois, aos 25 anos, entende-se que houve a transição completa deste perfil para outro. As prioridades e perfil aquisitivo mudaram”, explica Greca. Ela destaca que a análise pode ser mais subjetiva, a partir da observação e detecção de mudanças de comportamento: “também podem ser mais precisas, a partir de pesquisas qualitativas.Tudo vai depender da problemática que se procura resolver”, afirma a analista. “É comum um produto ser lançado no mercado e ter poucas vendas e, de repente, passar a ser bastante procurado. Descobrir tendências é justamente isso: saber o tempo em que a maré vai virar”, brinca Olegário Araújo.

O que esperar do futuro

 As tendências de consumo estão sendo construídas a todo instante. Araújo gosta de conceituar estas mudanças como algo que “já está acontecendo ao nosso redor, mas que ainda está mal distribuído, fragmentado na sociedade”. São insatisfações e desejos latentes por transformações que, independentemente de terem ou não uma solução, começam a se disseminar pelas sociedades de consumo.

Uma das grandes apostas para o futuro, acredita o consultor de consumo e varejo, é a chamada “internet de todas as coisas”. Os nossos hábitos estarão tão atrelados à tecnologia que será até difícil dissociá-la das nossas vidas. “A ideia da internet de todas as coisas é a conexão de não apenas computadores à rede, mas geladeiras, fogões. Tudo terá inteligência e conexão. E esta é uma tendência para um futuro próximo, já há modelos sendo testados no mundo”, explica.

Outra evolução relatada pelo consultor acontecerá no setor de medicamentos. Os remédios poderão ser rastreados e haverá um forte controle de origem. Receitas dadas pelos médicos serão disponibilizadas de modo público, assim, farmacêuticos poderão acessá-las em rede a partir da identificação de médico e paciente. “O conceito de rastreabilidade de medicamento é uma tecnologia que está no âmbito legislativo do nosso país. O apoio ao paciente será melhor e poderemos evitar misturas entre remédios, pois o histórico do paciente será público”, explica Araújo.

RPC Tendencias de consumo lojas de vestuario

No entanto, Greca alerta que, apesar de haver grandes perspectivas de mudanças nos hábitos de consumo e uso, certos comportamentos ainda permanecerão. Lojas de vestuário tendem a continuar permanecendo no meio físico. “Existe um contraponto entre o online e o virtual. Enquanto o online oferece a comodidade, o offline oferece a experiência. Existe uma tendência de nos sentimos mais solitários com a expansão da tecnologia e aí vem o contraponto: o meio offline oferece o prazer emocional que não poderá ser substituído. O consumo por prazer não será absorvido pela internet, mas sofrerá mudanças e ficará mais exigente”, finaliza Andrea Greca.

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