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Economia e Setores

Crescimento do setor de farmácias oferece lições de mercado

A expectativa de vida do brasileiro aumenta a cada ano, mas não só de remédios vive o setor farmacêutico. O crescimento de lojas pelo estado aponta para uma estratégia de manutenção de mercado baseada em conhecer seu público alvo e poder se diferenciar da concorrência ao oferecer algo exclusivo.

Com o atual momento econômico, que deixa diversos empresários apreensivos no que se refere a abrir o próprio negócio ou aumentar seus investimentos em empreendimentos já existentes, é importante observar os setores que estão crescendo e identificar aquilo que os destaca no mercado. A retração econômica não parece ter afetado o setor de farmácias, por exemplo, já que é possível observar um crescimento no número de lojas sendo abertas neste ano. Segundo um levantamento da consultoria IMS Health, feito a pedido da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (PróGenéricos), de janeiro a setembro deste ano, o setor farmacêutico movimentou 55,89 bilhões de reais no Brasil – um crescimento de 15,01% ante os mesmos meses de 2014.

É interessante lembrar que, apesar de o Paraná ser o 4º estado em potencial de consumo de remédios, este setor não cresce apenas por conta da necessidade por medicamentos, mas também pela oferta de itens de beleza e higiene. O investimento na área de cosméticos pelas empresas farmacêuticas é evidente, já que diversas lojas têm incrementado seu leque de produtos, trazendo para as prateleiras marcas importadas e até mesmo de linha própria, característica marcante da Panvel, empresa do Rio Grande do Sul que já abriu 31 lojas em Curitiba e agora expande para o interior do Estado, abrindo recentemente uma loja em Londrina.

Julio Mottim: "A farmácia deixou de ser apenas farmácia"
Julio Mottim, vice-presidente do grupo Dimed: “A farmácia deixou de ser apenas farmácia”

Segundo Julio Mottim, vice- presidente do grupo Dimed, que abrange a marca Panvel, há dois fatores para justificar o crescimento do setor: o aumento na expectativa de vida dos brasileiros, no que se refere a remédios, e o novo papel da farmácia no segmento de higiene e beleza. “A farmácia deixou de ser apenas farmácia, hoje ela é um dos principais líderes no mercado de higiene e beleza no Brasil. Inclusive nós vemos o enfraquecimento do canal porta a porta. A Natura, por exemplo, está revendo seu modelo de negócio, inclusive procurando vender seus produtos em farmácias. Ou seja, há um reconhecimento da farmácia como um destino importante da categoria.”

De acordo com Fabio Emanuel de Medeiros, Coordenador de Marketing de Pesquisa e Informações da RPC, a oferta de produtos que vão além do remédio é uma grande estratégia do setor, principalmente quando tais produtos são vendidos de acordo com o público alvo de cada estabelecimento. “Farmácias vendem commodities, ou seja, todas têm o mesmo produto disponível em suas prateleiras e competem ferozmente pelos consumidores, que estão cada vez mais informados e sensíveis a variações mínimas nos preços dos produtos. Neste momento entra uma importante estratégia: diversificação. Há muito tempo as farmácias deixaram de ser apenas um comércio de medicamentos, elas atualmente oferecem aos consumidores uma gama diversificada de produtos e com isso conseguem definir melhor o mix de cada loja baseado principalmente em sua localização.”

Fabio Medeiros: "Este setor nos oferece algumas lições"
Fabio Medeiros: “Este setor nos oferece algumas lições importantes de marketing”

Baseado em princípios de marketing do professor universitário estadunidense Philip Kotler, Fabio acredita que as farmácias acertam ao oferecer além do básico e disponibilizar promoções específicas para atingir os desejos de seus consumidores e gerar uma venda adicional. “Parece clichê, mas acabamos de falar de 4 conceitos básicos que Phillip Kotler há muito tempo nos mostrou: preço, produto, promoção e ponto (ou praça). Aliás, este último item é o fundamental para muitos negócios e as farmácias trabalham isso muito bem, determinam o potencial de consumo de cada região e estrategicamente montam seus pontos com o melhor mix possível”, enfatiza.

Por falar nisso, a localização e a identificação do público com a loja são mesmo um dos focos do setor, de acordo com Julio Mottim. “Nós acreditamos e investimos muito nisso. Não apenas na expansão de nossas lojas, para que elas sejam cada vez mais convenientes para as pessoas. Ou seja, próxima de suas casas. Mas principalmente investindo em lojas grandes, com um ambiente adequado, mais sofisticado, onde os produtos de higiene e beleza se destaquem e chamem a atenção do público, principalmente o feminino”, destaca Julio.

Como estender isso ao meu negócio?

Apesar das expectativas otimistas do setor, ele exige investimentos cuidadosos e coerentes. Mottim afirma que investir em uma linha própria, como a Panvel faz, é um caminho longo e difícil de ser consolidado. “O mercado de cosmético não é um mercado fácil para você lançar um produto de marca própria. É uma estratégia importante, claro, mas todos os colaboradores precisam entender isso. A maioria das empresas, quando decidem seguir por esse caminho, focam em produtos baratos e não é bem isso que o consumidor quer: ele também quer qualidade. A marca própria precisa ser tão boa quanto os demais produtos”, aponta Mottim.

Fabio Medeiros acredita, no entanto, que o modelo das lojas de farmácia e estas estratégias de mercado podem ser utilizadas por qualquer empresa, de qualquer tamanho. “Este setor nos dá algumas lições que todas as demais empresas, independente do porte podem aprender também”.

Confira as dicas de Fabio Emanuel de Medeiros:

1º – Entender o potencial de mercado a ser prospectado. Por isso o ponto é importante. Se o negócio exige um fluxo de pessoas, é importante estar perto de locais que promovam este fluxo.

2º – Conhecer bem o seu cliente, suas necessidades para ofertar os melhores produtos e serviços. Um programa de fidelidade pode ser interessante para um restaurante ou posto de gasolina por exemplo, mas não faz tanto sentido para uma clínica odontológica. Neste caso conhecer o cliente permitirá oferecer a ele não apenas o que ele quer, mas uma boa experiência.

3º- Diferenciação: a vantagem de conhecer seu público alvo é poder se diferenciar da concorrência e oferecer algo exclusivo, ou melhor que seu concorrente.

4º- Ser conhecido: uma boa comunicação para atrair seus clientes e divulgar seus produtos é fundamental para qualquer negócio se estabelecer com sucesso. Neste ponto temos novamente que entender do nosso consumidor, saber quais são os melhores canais para levar sua mensagem é de suma importância para uma comunicação bem sucedida.

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