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Economia e Setores

Efeito estufa: o que empresas do Paraná estão fazendo pela meta

Em reunião da ONU no último domingo, Brasil assumiu o compromisso de reduzir as emissões de GEEs (gases de efeito estufa) em 43% até 2030. Será que isso é possível? Veja quem já está trabalhando para isso acontecer.

Esta semana uma questão ambiental ganhou muito espaço em toda a mídia. No último domingo (27), durante a cúpula da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, o Brasil assumiu a responsabilidade de reduzir 43% da emissão de gases de efeito estufa até 2030; com base nos níveis emitidos em 2005.  Entre as medidas apontadas pela presidente Dilma Rousseff estão o projeto de integração de lavouras, pecuárias e florestas, a redução do desmatamento da Amazônia, reflorestamentos e o incentivo à implantação e uso de energias limpas e renováveis no país.

A meta é ambiciosa, por isso vale a reflexão: como isso será possível? Conversamos com especialistas e também com empresas que adotam práticas ambientalmente amigáveis para entender um pouquinho do assunto. Vamos lá!

Brasil já tem avanços ambientais significativos – mas ainda há muito para mudar

Consultor da STCP Engenharia de Projetos, Fernando Campos de Oliveira, considera a meta brasileira pouco ambiciosa, mas vê muitos avanços no país

Segundo o consultor da STCP Engenharia de Projetos, Fernando Campos de Oliveira, o avanço brasileiro nas questões ambientais é evidente, mas ainda há um longo caminho a percorrer. “Em 2005 as taxas de desmatamento eram altíssimas. O ano anterior, 2004, apresentou um dos maiores picos de desmatamento das últimas duas décadas. Desta data em diante tivemos muitos avanços: de 2005 para 2012 houve uma redução de 85% nas emissões de gases relacionadas com mudanças no uso da terra e florestas. Então, tendo em vista como ano base 2005, o Brasil já diminui bastante as taxas de emissão de GEE, pois o desmatamento da Amazônia foi reduzido consideravelmente. O INPE mostra que entre 2005-2012 houve  redução de 41% no total das emissões brasileiras”.

Fernando Oliveira também ressalta que muitos setores estão engajados na redução da emissão de GEEs no país. “Há sinais positivos do setor de agropecuária, por exemplo. A meta de recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas é um bom caminho. E também há a proposta de integração de 5 milhões de hectares no sistema lavoura-pecuária-florestas, que apresenta altas taxas de sequestro de carbono. Vale ressaltar que, embora ainda não tenhamos um mercado de carbono regulamentado, muitas empresas estão se antecipando ao realizar seus inventários de emissões de GEE (inclusive compensando essas emissões) e adotando preços internos do carbono para ter uma gestão ambiental mais eficiente”, explica.

O comprometimento de empresas paranaenses

Há mais de 50 anos no mercado paranaense, a fábrica de explosivos Britanite já trabalha pela redução na emissão de GEE. “Queremos estar sempre à frente do mercado e o programa de redução das emissões de gases de efeito estufa é parte desse processo. Ter a consciência de que ações locais são diferenciais globais é o primeiro passo”, afirma Vanuza Sennes, coordenadora de sustentabilidade da Britanite.

RPC Efeito Estufa Vanuza Sennes

Para contribuir para a sustentabilidade global, a Britanite iniciou este ano o inventário de suas emissões e traçou diversas metas e planos de ações. “As ações vão desde o aumento no controle da manutenção preventiva de equipamentos críticos à emissão de GEE, como caldeiras, até a substituição de combustíveis por ‘tecnologias mais limpas’, passando pelo desenvolvimento do Programa de Otimização da Matriz Energética e campanhas internas de conscientização ambiental. São várias ações, mas a primeira delas foi apresentar o inventário para nossos parceiros e criar um grupo de trabalho para discutir como estamos e onde queremos chegar e, a partir daí, mobilizarmos toda a empresa”, afirma Vanuza. “Sustentabilidade corporativa é ir além da consciência ambiental, é tê-la como valor. Seguimos o mercado, as pesquisas sempre apontam que empresas que alicerçam seus negócios nesse conceito avançam em competitividade e inovação”, finaliza.

Sanepar e Copel: programas de redução de emissão de GEE são rotina

Giovani Maciel Teixeira
Giovani Marcel Teixeira, da Copel

 A Companhia Paranaense de Energia (Copel) já assumiu o compromisso com o meio ambiente. Quem dá detalhes é o coordenador do programa de redução de emissões de GEE da companhia, Giovani Marcel Teixeira.  “A Copel é um empresa comprometida com práticas socioambientais, entre elas a modernização e a redução em 5% da sua frota de veículos de transporte. Todos os nossos carros utilizam o etanol, energia renovável, como combustível. Também investimos em 60 salas de vídeo conferências, para evitar deslocamentos desnecessários. Outra ação importante foi a modernização da Usina Térmica de Figueira, que através de tecnologias mais limpas diminuiu sua emissão de gases e aumentou sua eficiência”. 

“Em 2014 tivemos uma redução de 8% em nossas emissões. O mundo coorporativo deve estar alinhado e colaborando com estas questões. Deve assumir um posicionamento participativo e responsável”, afirma Teixeira.

A Sanepar é outro exemplo de companhia paranaense comprometida com práticas sustentáveis e com o controle de emissão de gases de efeito estufa.  Segundo o diretor de meio ambiente e ação social, Luciano Machado, a empresa sustenta a responsabilidade ambiental como um de seus grandes objetivos.

RPC efeito estufa Luciano Machado Sanepar
Luciano Machado, da Sanepar

“As questões ambientais são uma preocupação da companhia. Desde 2008 a Sanepar faz o inventário e a quantificação de suas emissões de gases. Buscamos a melhoria dos nossos processos operacionais e a conscientização de todo o quadro da empresa. Também investimos em inovações tecnológicas e em desenvolvimento de pesquisas”.

Machado também explica que foram incluídas ações sustentáveis nas estações de tratamento de esgoto. “Durante o processo de tratamento de esgoto temos uma grande geração de gás metano. Isto é inevitável. Para diminuir este impacto instalamos queimadores de gás nas estações, pois evitam o lançamento do gás no ambiente. Também investimos em programas de pesquisa do gás metano como fonte de energia e hoje utilizamos esta energia em nossas operações. Hoje estabilizamos nossa emissão de gases ainda que estejamos constantemente expandindo o serviço de saneamento”, finaliza.

Estes são apenas alguns exemplos de empresas engajadas  que adotam práticas mais sustentáveis e conscientes. Por fim, Fernando Oliveira da STCP Engenharia de Projetos reforça a importância desta tipo de gestão nos negócios:  “No geral as empresas se comprometem com a questão ambiental por paixão e por inteligência. Temos empresas comprometidas e que realizam ações de redução de emissões por acreditarem na causa. Outras já compreenderam que realizar estas ações é estratégico,  proporciona vantagem competitiva e maiores rendimentos. Neste aspecto, vale comentar que a vantagem competitiva se dá de diferentes formas, seja em termos de ecoeficiência ou posicionamento de mercado, mas também por reputação e branding”.

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