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Economia e Setores

Frutas frescas, preço acessível e muito trabalho. Receita de sucesso das paleterias

No mercado há poucos anos, as paletas já caíram no gosto da população. Empresas de origem paranaense ganham atuação nacional. Afinal, por que as paletas fazem tanto sucesso? Como o segmento atua em outras estações? Entrevistamos Camila Biscouto, da Paleta Mania; e Gean Chu, da Los Paleteros: eles contam um pouquinho mais sobre este delicioso negócio. Vamos conferir!

O picolé de origem mexicana é a grande aposta do mercado de sorvetes para o verão. E, acredite, no inverno também. Chamado de paleta, nos últimos três anos muitas empresas especializadas na fabricação do produto viram seus rendimentos triplicarem. Inclusive algumas dessas novas marcas de paletas que estão presentes no mercado podem ser conceituadas como “empreendimento scale-up”:  a empresa consegue atingir metas recordes de crescimento, muitas vezes acima de 100%, em mais de um ano seguido.

Uma das marcas pioneiras no segmento é do Paraná: a Los Paleteros. Atualmente está presente em onze estados do país e conta com centenas de franquias espalhadas de norte a sul com menos de três anos de existência. O crescimento foi avassalador. No primeiro ano de existência, a marca conseguiu vender 12 franquias. No segundo ano, o número subiu para 71. Às vésperas de completar três anos, a Los Paleteiros fecha o ano de 2015 com 112 franquias. Mas não é a única do segmento a conviver com o crescimento contínuo.

A Paleta Mania, fundada em 2013 também no Paraná, tem vivido situação semelhante. O modelo de negócio da marca é focado na fabricação e distribuição dos picolés, sem loja física. Camila Biscouto, sócia-fundadora da Paleta Mania, explica que a abertura da empresa se deu, na verdade, pelo “feeling”. Por já ser proprietária de outra empresa junto com o esposo – e que tem rendimento saudável – os dois decidiram acreditar na tendência que estava emergindo no mercado e investiram fundo. “Nós fomos para Nova York em uma feira de franquias e vimos muitas oportunidades. Chegando aqui tentamos captar a tendência que estava ganhando fôlego. Em seis meses, abrimos a fábrica e fomos descobrir como administrar. Hoje, é a Paleta Mania que tem segurado os rendimentos das outras empresas que temos”, afirma Camila.

Camila Biscouto, da Paleta Mania: ideia do negócio veio após muita pesquisa de mercado
Camila Biscouto, da Paleta Mania: ideia do negócio veio após muita pesquisa de mercado

Os resultados conquistados por estas marcas têm surpreendido o mercado e atraído cada vez mais investidores para o segmento, mas também levantado questionamentos sobre as razões que fizeram o produto se tornar uma nova febre do Brasil. Gean Chu, sócio-fundador da Los Paleteros, acredita que a expansão das empresas do segmento e a excelente aceitação do produto pelo consumidor aconteceram por haver uma lacuna no mercado de sorvetes. Segundo Chu, o mercado ansiava por produtos com qualidade a um preço mais acessível. “Havia uma distância grande entre qualidade e preço nos produtos disponíveis. Ou o picolé diferenciado era muito caro e bom, ou muito simples e com preço acessível. A paleta mexicana entrou nesse espaço intermediário e tem condições de dar qualidade e preço”, explica.

Gean Chu, da Los Paleteros, acredita que o sucesso das paletas veio para preencher uma lacuna de mercado
Gean Chu, da Los Paleteros, acredita que o sucesso das paletas veio para preencher uma lacuna de mercado

Além disso, o produto tem uma característica muito própria da sua origem e que está relacionada à inovação: as misturas feitas nos sabores ofertados são inéditas no Brasil.  Os proprietários das fábricas têm buscado sempre renovar o menu de sabores. “Todos os meses, a Los Paleteiros cria pelo menos um novo sabor. Durante o inverno, damos menos enfoque aos sabores refrescantes e enfatizamos os picolés relacionados à sobremesa. Sabores como chocolate e torta de limão, que normalmente são consumidos após as refeições. Funciona muito bem como tática para segurar as vendas nos períodos de sazonalidade”, explica Chu.

RPC Paleta a base de frutas
Feitas à base de frutas, paletas atendem a um mercado em ascensão: pessoas estão buscando mais saúde na alimentação

Camila Biscouto, da Paleta Mania, acredita também que a procura pelas paletas tem sido crescente devido às novas prioridades do público. Segundo ela, há uma procura maior no mercado produtos menos industrializados e mais ligados ao conceito de vida saudável. Com receitas à base de frutas frescas, esta parcela de consumidores foi facilmente fisgada pelas paletas. “Nossa empresa é nova, só tem dois anos de atuação, mas ainda assim vendemos em média de 200 mil picolés por mês. No verão, o número cresce ainda mais. Para o inverno, vamos lançar uma linha de picolés de iogurte. Uma sobremesa mais gourmet e com sabores novos”, acredita.

Investimento e retorno certo

Quando Gean Chu decidiu abrir a Los Paleteiros, havia pouca informação no país sobre o segmento. Chu e o sócio decidiram pesquisar o mercado e procurar entender em quais segmentos havia oportunidades de negócio que ainda não haviam sido bem exploradas. Ao longo dos quase três anos da marca, muito do conhecimento veio com a experiência. “Fomos entendendo que este é um ramo que sobrevive da movimentação de novidades. Vamos lançar agora sorvetes menores, por exemplo, e com baixo teor de caloria para o público feminino. Entender o consumidor e caminhar com ele é fundamental”, explica.

Já Camila Biscouto e seu esposo tinham interesse em entrar no mercado de produtos que estivessem fora do ramo principal das outras empresas da família – eles trabalham com publicidade também. Com a onda de empresas focadas em picolés de origem mexicana crescendo, Camila decidiu arriscar e investir, já que, se não funcionasse, sua margem financeira poderia suportar. “Mas é preciso sempre lançar novos sabores para acompanhar o ritmo do mercado”, destaca a empresária.

O grande desafio do segmento é a logística. O produto, por ser menos industrializado e conter ingredientes frescos, precisa estar sempre muito bem refrigerado. Se durante a etapa de distribuição houver perda de alguns graus na temperatura de conservação, o produto é perdido. “É por esse motivo que o norte é única região do país que a Los Paleteros não está. A logística é bastante complexa”, afirma Chu. Hoje, quem desejar ser franqueado da marca, com ponto de venda fixo, precisará desembolsar cerca de 75 mil reais. Mas o investimento, garante Gean, tem retorno certo. “O retorno limite é de 36 meses, mas todos os nossos franqueados conseguiram em até 24 meses”, finaliza.

Existe, ainda, outra possibilidade: as franquias pop-up da Los Paleteros. Quem tiver interesse em explorar um ponto de venda temporário, que funcione melhor em períodos de sazonalidade também pode arriscar. A ideia foi criada para atender os franqueados com lojas fixas, mas que, durante o verão, por exemplo, desejam ampliar seu capital de giro. Com investimento de 30 mil reais, é possível criar a franquia pop-up. E para os pontos de venda que desejarem revender os picolés da Paleta Mania será preciso adaptar os refrigeradores às condições de armazenamento exigidas pela funcionalidade do produto. “O picolé mais vendido é de morango com leite condensado. Para os pontos de venda, oferecer este produto é garantia de compra. Faz muito sucesso”, finaliza Camila.

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