Menu Busca

Marketing e Comunicação

Leite quente, vina, penal: marcas aproveitam regionalismos

Em um país tão grande como o nosso, marcas podem pensar sua comunicação de forma regionalizada. A técnica ajuda a criar maior aproximação com o público-alvo e gera maior lembrança de marca. Aqui no Paraná temos exemplos recentes, como a marca de bebidas Cini e a Daju. Entenda por quê elas se comunicam com os paranaenses de forma singular.

Para iniciar qualquer conversa com o consumidor é preciso muita afinação com os seus desejos e expectativas. Tarefa complexa porque exige entender profundamente sobre o comportamento e os hábitos do público-alvo. Mas não só. Para ser efetiva, a conversa que vai se estabelecer precisa encontrar um tom natural, que se utilize de use um código linguístico confortável ao consumidor que será impactado.

Na hora de criar uma campanha publicitária, marcas podem se focar na linguagem da região onde atuam para conversar com o público-alvo
Na hora de criar uma campanha publicitária, marcas podem se focar na linguagem da região onde atuam para conversar com o público-alvo

Os resultados tendem a ser bastante efetivos quando marcas regionais usam em suas campanhas publicitárias estratégias guiadas na redescoberta das origens locais. Foi o que aconteceu com a Cini, marca paranaense de bebidas.

“Depois que focamos em conectar as gerações paranaenses que bebem a Cini tivemos aumento de 20% de consumo em relação ao mesmo período de agosto, ano passado. A marca estava abandonada, mas sabemos que é muito amada no Paraná”, explica o gerente de marketing e vendas, Henrique Domenico.

Qualidade e preço menor em comparação às marcas nacionais

Em 2015, com a mudança da diretoria da Cini, a empresa decidiu criar uma grande campanha para marcar o novo posicionamento da marca. O objetivo era relembrar os paranaenses que entre a marca e o cliente existe uma conexão familiar profunda, quase hereditária, e que está muito acima do consumo. Com os motes “De mãe para guria desde sempre” e “De mãe para piá desde sempre”, a sacada foi utilizar o colóquio local para trazer para mais perto a nova geração de consumidores paranaenses, que corriam o risco de esquecer o vínculo emocional que seus pais e avós tiveram no passado com a Cini.

Henrique Domenico conta que o reposicionamento da Cini promoveu aproximação afetiva da marca com os paranaenses em 2015
Henrique Domenico conta que o reposicionamento da Cini promoveu aproximação afetiva da marca com os paranaenses em 2015

Para Domenico, a Cini conquistou no estado uma posição privilegiada porque o seu consumo já é considerado um hábito. A marca cresceu e se desenvolveu junto da identidade de quem é daqui. “Quando a Cini tenta voltar mais uma vez para a casa do seu consumidor, ele tem que se sentir à vontade de novo. Usamos os termos daqui para mexer com as lembranças. No passado, os pais eram as crianças e adolescentes que bebiam Cini. Seus filhos precisam passar a nossa marca como herança também”, explica.

O que também tem ajudado a fortalecer esta renovação na conexão entre o público e a marca é o fato de que seus os produtos, por serem regionais, podem ser vendidos a um preço menor sem perder a qualidade. E com a mudança do comportamento do consumidor neste período de crise e a necessidade de buscar produtos que não pesem no bolso, a empresa de bebidas tem encontrado espaço livre para voltar a crescer. “Decidimos criar agora as embalagens individuais para dar competitividade à marca. Com as latas, lançadas em novembro, rejuvenescemos a marca e oferecemos ao consumidor um produto de qualidade com preço menor ao praticado pelas grandes empresas”, afirma Domenico.

A Daju é outra marca paranaense muito presente na memória local. A rede de lojas é especializada em produtos de cama, mesa e banho e é conhecida pelos paranaenses pela estratégia agressiva de preços. Neste ano, tem buscado trazer às suas campanhas publicitárias não só uma linguagem mais descontraída e informal, mas um toque humorístico aliado ao dialeto paranaense nas mensagens. “Chamamos o Fagner Zadra, artista muito conhecido no estado, para fazer alguns filmes divertidos porque sabemos que a conexão é imediata”, acredita Paula Santana, diretora da Vivas Compacta, agência responsável pela criação da campanha.

Daju apostou em artista local para criar maior identificação com o consumidor
Daju apostou em artista local para criar maior identificação com o consumidor

Paula Santana explica que a marcas locais precisam valorizar os aspectos da cultura de origem. Muitas empresas ainda se retraem diante da possibilidade, por medo de estereotipar o público-alvo e cair no lado negativo da regionalização. “Acho que cuidado na hora de conversar é sempre necessário, independentemente da linguagem que será usada. Buscar a fala coloquial da região é um sinal de que a marca entende este consumidor e consegue absorver a sua essência, é uma prova de que está junto com ele no seu cotidiano. O consumidor local gosta de comunicação direcionada. Só é preciso encontrar o tom certo”, finaliza Paula.

Artigos relacionados

0 respostas para “Leite quente, vina, penal: marcas aproveitam regionalismos”

Deixe uma resposta